Oposição do Zimbábue anuncia aliança no Parlamento

Grupo dissidente e principal partido opositor garantem maioria sobre os deputados governistas

Efe,

28 de abril de 2008 | 12h13

As duas facções do Movimento para a Mudança Democrática (MDC) anunciaram nesta segunda-feira, 28, um acordo para trabalhar juntas no Parlamento do Zimbábue e superar as diferenças que afetavam o partido há mais de dois anos.   "Decidimos trabalhar juntos e combinar nossas forças, por isso o Parlamento é agora controlado por nós", afirmou o presidente do MDC, Morgan Tsvangirai, em entrevista coletiva oferecida na África do Sul. Tsvangirai estava acompanhado por Arthur Mutambara, líder de uma facção dissidente do MDC que tinha se separado do partido em 2005. Os dois setores do MDC reúnem 109 deputados, frente aos 97 do governante União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF).   A distribuição de cadeiras surgiu das eleições parlamentares de 29 de março, mas ainda falta a apuração parcial de circunscrições cujo resultado foi colocado em dúvida, mas que não colocará em risco a maioria da oposição. Tsvangirai, a figura mais importante da oposição do Zimbábue desde o início desta década, fez suas declarações em um aeroporto no noroeste de Johanesburgo. Dias após as eleições ele saiu do país por razões de segurança.   O MDC se dividiu em dois por conta de rivalidades internas relacionadas às eleições para o novo Senado, no final de 2005. A facção liderada por Tsvangirai, a mais importante, boicotou esta votação, mas a dirigida por Mutambara decidiu participar. Nas eleições presidenciais de 29 de março, cujo resultado ainda não foi divulgado pelo governo, a facção de Mutambara apoiou o candidato presidencial independente e ex-ministro das Finanças Simba Makoni.   Tsvangirai disse aos jornalistas que o acordo anunciado nesta segunda coloca na oposição o regime do presidente zimbabuano, Robert Mugabe, no poder desde 1980. "Mugabe não pode mais ser presidente, pois não controla o Parlamento", declarou. "As duas formações do MDC trabalharão juntas contra o regime de Mugabe e seu partido, o Zanu-PF, que agora vai para a oposição", declarou Mutambara.   O MDC afirma que Tsvangirai venceu as eleições presidenciais com 50,3% dos votos, contra 43,8% recebidos por Mugabe, segundo dados expostos nas atas eleitorais na saída dos centros de votação.   Tsvangirai e Mutambara não quiseram esclarecer se o acordo anunciado significa que as duas facções decidiram se unir e a razão de não terem alcançado um pacto parecido antes das eleições presidenciais. "As circunstâncias definem os comportamentos", disse Tsvangirai. "O importante é que a partir de agora teremos um grupo parlamentar e uma mesma agenda", disse Tsvangirai. "Vamos olhar para frente", concordou Mutambara.   Os dois líderes políticos afirmaram que sua aliança parlamentar está aberta a adesões, inclusive do partido do governo. Mutambara acrescentou que dezenas de parlamentares eleitos pelo Zanu-PF já anunciaram que vão para a oposição, algo que não foi confirmado.

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