Oposição do Zimbábue não descarta concorrer em 2.º turno

Representantes do partido de Tsvangirai pede que vizinhos ajudem na verificação dos votos das eleições

Agência Estado e Associated Press,

03 de maio de 2008 | 12h59

A oposição do Zimbábue não descartou neste sábado, 3, a possibilidade de disputar o segundo turno das eleições do Zimbábue contra o atual presidente, Robert Mugabe. Porém, representantes pediram aos países vizinhos que ajudem na verificação dos votos do primeiro turno. Thokozani Khupe, vice-presidente do Movimento para a Mudança Democrática (MDC), disse ainda não considerar necessário uma nova votação. Ele manteve, assim, a posição da sigla de que o líder oposicionista Morgan Tsvangirai teve mais que 50% dos votos e, portanto, venceu a disputa com Mugabe no primeiro turno, realizado em 29 de março. A comissão eleitoral do Zimbábue divulgou os resultados oficiais na sexta-feira. Segundo o órgão, Tsvangirai teve 47,9% dos votos, e Mugabe, 43,2%. Não foi marcada ainda nenhuma data para o segundo turno. Segundo o vice-ministro da Informação, Bright Matonga, a Constituição prevê que a votação não ocorra antes de 21 dias da divulgação do resultado do primeiro turno nem depois de um ano dela. Anteriormente, a oposição rejeitou participar de um segundo turno. Porém parece ter amenizado essa postura após a divulgação dos resultados oficiais. O partido de Mugabe, o ZANU-PF, já informou que participará da nova votação.  O MDC também deixou as portas abertas para a formação de um governo de conciliação nacional. Porém a única exigência é que Mugabe não participe dessa nova administração. Observadores internacionais questionam a legitimidade de um segundo turno, por causa da violência e da repressão que se seguiram ao pleito de 29 de março. Importantes líderes do MDC, incluindo o próprio Tsvangirai, deixaram o país com medo de serem presos. Partidários de Mugabe negam qualquer violência. Segundo eles, os oposicionistas são os culpados pelas turbulências. Mugabe, de 84 anos, está no poder há 28. Ele era visto como um herói nacional ao ajudar o Zimbábue a conseguir sua independência do Reino Unido, em 1980. Foi também elogiado por levar educação e saúde para a maioria negra. Mas recentemente tem sido acusado de centralizar o poder demais e realizar eleições fraudulentas, além de cometer abusos e erros na condução da economia.

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