Oposição do Zimbábue obtém Presidência do Parlamento

Partido de Tsvangirai controla Parlamento pela 1.ª vez; vitória representa revés para presidente Robert Mugabe

AE e Efe,

25 de agosto de 2008 | 14h18

Em uma demonstração de força política, o principal partido oposicionista do Zimbábue conseguiu nesta segunda-feira, 25, a Presidência do Parlamento, vencendo o candidato apoiado pelo presidente Robert Mugabe. A vitória de Lovemore Moyo, por 110 votos contra 98, mostra que a oposição, pelo menos por enquanto, controla o Parlamento pela primeira vez desde que o Zimbábue obteve sua independência do Reino Unido em 1980, segundo o jornal The New York Times.   Veja também: Dois deputados da oposição são presos no Zimbábue   Moyo, do Movimento pela Mudança Democrática (MDC), foi eleito após o juramento dos deputados, cinco meses após as eleições de 29 de março e a após a detenção na manhã desta segunda, na porta do Parlamento, de dois deputados eleitos do MDC, dos quais um foi liberado.   Embora o porta-voz do MDC, Nelson Chamisa, tenha ameaçado boicotar a eleição do presidente da Casa da Assembléia caso algum deputado de seu partido fosse preso, os parlamentares de sua legenda acabaram votando em Moyo, mesmo não tendo a confirmação se Elia Jembere tinha sido liberado.   A eleição era muito aguardada, pois a governista União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF), de Mugabe, tem 99 deputados, e o MDC, de Morgan Tsvangirai, 100, enquanto a facção minoritária do MDC, liderada por Arthur Mutambara, tem 10. A vitória da oposição foi um revés para o governo de Mugabe.   A oposição saudou o resultado. "O ZANU-PF está acabado", gritaram alguns parlamentares, entoando uma canção eleitoral. Mugabe deve abrir o Parlamento na terça-feira, em meio a um impasse com Tsvangirai pela divisão do poder no país.   Em março, Tsvangirai conseguiu o maior número de votos para a Presidência, mas não os 50% mais um necessários para ser eleito no primeiro turno. O opositor retirou sua candidatura do segundo turno devido aos ataques contra os membros de seu partido por parte de milícias leais a Mugabe, que obteve mais de 80% dos votos no dia 27 de junho.   A comunidade internacional não reconheceu este resultado, e a União Africana (UA) pressionou Mugabe para estabelecer conversas com o objetivo de criar um governo de unidade que tire o país da profunda crise política e econômica na qual se encontra.   Antes da eleição desta segunda, dois políticos foram presos enquanto entravam para tomar seus postos no Parlamento. Segundo a oposição, as prisões têm motivação política, para evitar o predomínio da oposição no Legislativo. Um deles foi depois liberado, porém Elia Jembere não havia sido localizado.

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