Oposição domina disputa no Japão

Pesquisas indicam que Partido Democrático deve voltar ao poder com vitória esmagadora na eleição de domingo

Cláudia Trevisan, O Estadao de S.Paulo

27 de agosto de 2009 | 00h00

file://imagem/93/hatoyama.JPG:1.93.12.2009-08-27.8 As ruas de Tóquio trazem poucos indícios de que uma campanha política nacional está em andamento, mas os japoneses se preparam para ir às urnas no domingo e acabar com cinco décadas quase ininterruptas de governo do conservador Partido Liberal Democrático (PLD), legenda do atual primeiro-ministro, Taro Aso.Todas as pesquisas eleitorais indicam uma vitória esmagadora do opositor Partido Democrático do Japão (PDJ), que foi humilhado nas urnas há quatro anos, quando o popular ex-primeiro-ministro Junichiro Koizumi liderou o PLD na conquista da mais ampla maioria parlamentar da história do país.O pequeno empresário Makoto Sano, 47 anos, votou no PLD na eleição de 2005, mas agora está decidido a apoiar a oposição. "Precisamos de mudança", disse ao Estado no bairro de Ginza, que concentra as grifes de luxo de Tóquio. "Mudar" é o verbo que rege a atual campanha, mas ele ganha mais credibilidade quando é conjugado pelos que estão na oposição. O sentimento da maioria dos japoneses é o de que o PLD está no poder há muito tempo e não foi capaz de realizar as transformações em áreas cruciais, como previdência social, saúde e educação.Com exceção de um curto período, entre 1993 e 1996, o PLD foi a origem de todos os primeiros-ministros que governaram o Japão desde a fundação do partido, em 1955. Os conservadores eleitores japoneses indicaram que pretendiam adotar um novo caminho político em 2007, quando o oposicionista PDJ saiu vitorioso nas eleições para a Câmara Alta.No domingo, os japoneses escolherão representantes para as 480 cadeiras da Casa dos Representantes, que tem a atribuição de indicar o premiê. A maioria das pesquisas de opinião indica que o PDJ elegerá cerca de 300 parlamentares, o que fará de seu líder, Yukio Hatoyama, o sucessor de Taro Aso.Filho de um ex-primeiro-ministro e antigo integrante do PLD, Hatoyama assumiu o comando dos democratas em maio deste ano, depois de Ichiro Ozawa renunciar ao posto em razão do envolvimento de um assessor em um escândalo de arrecadação de fundos.Apesar de sua retórica reformista, Hatoyama integra uma tradicional linhagem de políticos japoneses, assim como seu adversário, Taro Aso. Seu avô foi primeiro-ministro nos anos 50 e seu pai e seu pai ocupou posteriormente o cargo de ministro das Relações Exteriores. Antes de aderir à oposição, em 1993, Hatoyama integrava os quadros do mesmo PLD que agora poderá derrotar.Considerado um péssimo orador, Hatoyama se beneficia do desejo de mudança que varre o país. "A maioria dos japoneses acredita que sua vida piorou nos últimos 20 anos", afirma o analista Tobias Harris, autor do blog Observingjapan.com. Ex-assessor de um parlamentar do PDJ, Harris acredita que o PLD "fracassou" no enfrentamento dos problemas que angustiam os cidadãos. Segundo ele, a questão não é saber se a oposição ganhará, mas sim por qual margem.INSTABILIDADEDesde o fim do governo Koizumi, em 2006, o Japão vive um período de instabilidade política, com a troca de primeiros-ministros a cada ano. Aso assumiu em setembro de 2008.A vitória da oposição no domingo é prevista não apenas pelas pesquisas de opinião. "O Partido Democrático do Japão está tomando Tóquio como uma enorme onda", disse ontem o ministro das Finanças, Kaoru Yosano, que tenta se reeleger na capital como representante do PLD. "Neste ritmo, o Parlamento será dominado por um único partido", alertou.Akira Amari, responsável pela pasta da Reforma Administrativa, concordou: "Se a situação permanecer inalterada, [O PDJ]pode ser o primeiro partido da história a ganhar uma maioria de dois terços na Casa."

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