Oposição e vizinhos desconfiam do plano

Socialistas vêem teor ?imperialista? e Alemanha teme fragmentação da UE

Paris, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2020 | 00h00

Atentos à hiperatividade diplomática do novo governo, líderes do Partido Socialista denunciam os planos de Sarkozy como "imperialistas". E mesmo entre intelectuais especializados em relações com o Oriente Médio e a África as desconfianças são grandes. "O projeto de uma União Mediterrânea não nos faz superar as dúvidas que temos sobre a capacidade diplomática da França de encaminhar soluções para os temas mais sensíveis da região, como a disputa entre Israel e Palestina", avalia Dorothée Schimid, pesquisadora do Instituto Francês de Relações Internacionais (Ifri). "Além disso, Sarkozy precisa convencer a Espanha e a Itália sobre sua proposta. E eles não são amadores quando o assunto é Mediterrâneo." Outro país que tem demonstrado suspeitas em relação às intenções do governo francês é seu maior histórico aliado, a Alemanha. Mesmo no seio do governo da chanceler Angela Merkel há ecos de insatisfação quanto ao personalismo com o qual Sarkozy conduziria os assuntos europeus. Os exemplos mais recentes são o consenso em torno do "minitratado" que substituirá a Constituição Européia e a negociação para libertação das enfermeiras búlgaras, um assunto que vinha sendo negociado pela UE há meses. "Há um sentimento de desconfiança que já gera críticas", alerta Claire Demesnay, pesquisadora do Comitê de Estudos Franco-Alemães. Mesmo o economista Jean-Louis Guigou, próximo a Sarkozy, reconhece as divergências: "Há desconfiança na Alemanha porque eles temem a fragmentação da unidade européia", afirmou.Em que pesem as críticas veladas dos países vizinhos, até o momento, o maior custo do projeto é financeiro, e não político. Entre os ideólogos do novo bloco, o objetivo é que instituições como presidência, parlamento, ministério das relações exteriores e banco central comuns sigam o modelo Europeu em um horizonte de, no máximo, 20 anos. ''''O financiamento dessas instituições exige somas vultosas. A dúvida é como chegar a esse montante'''', diz Dorothée .

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