Oposição egípcia pede protestos contra 'manipulação' eleitoral

A Irmandade Islâmica, principal grupo de oposição ao governo do Egito, decidiu levar sua luta política para as ruas e planeja um protesto contra uma "manipulação" nas últimas eleições destinada a tirar o partido do Parlamento.

MARWA AWAD, REUTERS

23 de dezembro de 2010 | 09h44

Mohamed Badie, líder da Irmandade, disse que o grupo irá usar meios pacíficos para se contrapor a um Parlamento que, segundo ele, não reflete a verdadeira força da oposição nem a vontade do eleitorado.

"Ausente do Parlamento... a oposição tomará as ruas", disse Badie à Reuters, acrescentando que buscará uma coordenação com outros grupos de opositores para realizar protestos "legais, constitucionais e em massa".

O Partido Nacional Democrático, do presidente Hosni Mubarak, conquistou 420 das 508 cadeiras parlamentares que estavam em disputa nas eleições de 28 de novembro e 5 de dezembro.

A Irmandade tinha 86 deputados na legislatura anterior, mas se retirou do pleito depois de não conseguir conquistar nenhuma vaga no primeiro turno da votação.

As autoridades dizem que a eleição foi limpa, e que eventuais irregularidades não afetam o resultado final. Entidades de direitos humanos e partidos de oposição afirmam que o governo alterou o conteúdo de urnas, intimidou eleitores e usou outras manobras para garantir sua hegemonia.

"Não foi uma eleição com manipulação. Foi uma manipulação com um traço de eleições", disse Badie. "Este Parlamento irá distorcer a imagem do Egito e irá aprovar leis que são nocivas aos interesses do Egito."

Manifestações públicas são rigidamente controladas pela polícia no Egito, onde uma lei de emergência vigora desde 1981. Em maio, a medida foi prorrogada por mais dois anos.

A Irmandade Islâmica está oficialmente proibida de participar da política formal, por causa de regras que proíbem partidos com filiação religiosa. Mas o grupo burla a medida apresentando seus candidatos como "independentes." O grupo tem grande penetração popular devido a suas ações beneficentes.

Badie disse que seu partido não descarta o recurso à desobediência civil, e que "as atividades continuarão numa escalada".

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