Oposição egípcia protesta contra Constituição 'inválida'

A oposição do Egito vai realizar novos protestos nesta terça-feira contra um projeto de Constituição apoiado pelos islâmicos que tem dividido a nação, mas que tende a ser aprovado na segunda rodada de um referendo no próximo fim de semana.

YASMINE SALEH E SHAIMAA FAYED, Reuters

18 de dezembro de 2012 | 12h40

O presidente islâmico Mohamed Mursi obteve 57 por cento de votos "sim" para a Constituição em uma primeira rodada do referendo no sábado, disse a mídia estatal, menos do que ele esperava.

O resultado deve encorajar a oposição, que diz que a lei é muito islâmica. Mas é improvável que eles ganhem a segunda rodada deste sábado, a ser realizada nos distritos vistos como ainda mais simpáticos à Irmandade Muçulmana de Mursi.

Manifestantes aplaudiram quando o promotor público que Mursi nomeou no mês passado anunciou sua renúncia na noite de segunda-feira. Outros sinais de oposição surgiram quando um clube de juízes pediu aos seus membros para não fiscalizar a votação de sábado. Mas o pedido não é obrigatório para os membros e a votação deve seguir em frente.

Se a Constituição for aprovada no próximo fim de semana, as eleições nacionais podem ocorrer no início do próximo ano, algo que muitos esperam ajudar a acabar com o tumulto que tomou conta do Egito desde a queda de Hosni Mubarak há quase dois anos.

A principal coalizão de oposição, a Frente de Salvação Nacional, disse que houve violações generalizadas de voto no primeiro turno do referendo e pediu que os organizadores garantam que a segunda rodada seja devidamente supervisionada.

Eles também convocaram protestos em todo o Egito nesta terça-feira "para impedir a falsificação e derrubar o inválido projeto de Constituição" e quer que os organizadores refaçam a primeira rodada de votação.

O Ministério da Justiça informou que estava nomeando um grupo de juízes para investigar denúncias de irregularidades na votação em todo o país.

MANIFESTAÇÕES

No Cairo, a Frente planejava a realização de manifestações na Praça Tahrir, berço da revolução que derrubou Mubarak, e do lado de fora do palácio presidencial de Mursi, ainda cercado de tanques após protestos anteriores.

"Abaixo à Constituição da Irmandade", disse a Frente, em comunicado. "Abaixo à Constituição da tirania."

Um manifestante no palácio presidencial, Mohamed Adel, 30, disse: "Eu estou acampando aqui há semanas e vou continuar a fazê-lo até que a constituição que dividiu a nação, e pela qual pessoas morreram, seja desfeita".

A preparação para a primeira rodada de votação foi marcada por confrontos entre partidários e opositores de Mursi, em que oito pessoas morreram. Recentes manifestações no Cairo têm sido mais tranquilas, embora facções rivais entraram em confronto na sexta-feira em Alexandria, segunda maior cidade do Egito.

(Reportagem adicional de Tamim Elyan e Edmund Blair)

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