Oposição ergue barricadas na capital da Venezuela

Manifestantes da oposição ergueram barricadas nas principais vias de Caracas nesta segunda-feira, prejudicando o tráfego de veículos em partes da capital venezuelana. As barricadas, feitas com lixo e outros escombros, levaram ao cancelamento do trânsito de algumas linhas de ônibus e tornaram a ida ao trabalho um pesadelo para muitas pessoas, mas não havia informações sobre violência quando a polícia começou a desmantelar os bloqueios. Nas cidades de Maracaibo e Valência também foram erguidas barricadas.

Agência Estado

24 Fevereiro 2014 | 12h49

Desde 12 de fevereiro, oponentes do presidente Nicolás Maduro têm realizado protestos em todo o país. Segundo o governo, essas manifestações resultaram nas mortes de pelo menos 11 pessoas e deixaram mais de 130 feridas.

Os manifestantes responsabilizam Maduro pela alta taxa de criminalidade e pelos problemas econômicos enfrentados pelo país. Para eles, as políticas socialistas do presidente levaram à falta de produtos básicos e a uma inflação acima de 50% ao ano, uma das mais altas do mundo, apesar das grandes reservas de petróleo venezuelanas.

Maduro convocou no domingo uma conferência nacional de paz para quarta-feira para tratar dos protestos. O governador opositor Henrique Capriles diz que ainda não decidiu se participará do encontro.

Maduro convidou diferentes setores políticos para um diálogo em busca de acordos, após duas semanas de protestos, mas afirmou que manterá a mão de ferro contra os que fomentam a violência.

"Esta mão que veem é a mão do (ex-presidente Hugo) Chávez convertida em povo e vou usá-la como ferro para defender o povo", advertiu o presidente perante cerca de 1.000 idosos que marcharam ao ritmo de músicas folclóricas e canções tropicais pelo centro de Caracas e se concentraram do lado de fora do Palácio de Miraflores, sede do governo.

Maduro disse que a "conferência de paz" será instalada na quarta-feira no Palácio de Miraflores e que espera a participação não apenas de representantes de todos os setores políticos, líderes sindicais e dirigentes da oposição, mas também de empresários.

As manifestações contra o governo começaram duas semanas atrás em protesto contra a inflação, que em janeiro superou os 50% anuais, assim como a falta de produtos básicos e o aumento da violência.

A oposição também critica o uso da violência por parte de grupos ligados ao governo e exigem a libertação do líder opositor Leopoldo López, detido numa prisão militar desde 18 de fevereiro por convocar manifestações. Fonte: Associated Press.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.