Carlos Garcia Rawlins/Reuters
Carlos Garcia Rawlins/Reuters

Oposição exige que Maduro desarme milícias chavistas e liberte 69 presos

Coalizão antichavista acusa grupos pró-governo de abrir fogo contra manifestantes na quarta-feira e denuncia perseguição a líderes opositores

O Estado de S. Paulo,

14 de fevereiro de 2014 | 22h04

CARACAS - A coalizão opositora venezuelana Mesa de Unidade Democrática (MUD) pediu na sexta-feira, 14, a libertação dos 69 estudantes presos nos protestos de quarta-feira contra o governo do presidente Nicolás Maduro e o desarmamento de milícias radicais chavistas, acusadas de abrir fogo no confronto que deixou 3 mortos e 66 feridos.

Apontado como responsável por incitar o conflito, o líder opositor Leopoldo López, que tem contra si uma ordem de prisão, trocou acusações pela internet com líderes chavistas.

"Pedimos liberdade para os presos. É o primeiro passo para a paz na Venezuela", disse o secretário executivo da MUD, Ramón Guillermo Aveledo. "Os coletivos precisam se desarmar. São grupos ilegais armados que possuem armamento de guerra."

Os milicianos são acusados de abrir fogo contra os estudantes, mas o governo diz que um dos líderes dessas milícias também morreu nos confrontos. "A paz precisa também de atos concretos do poder que indiquem claramente aos venezuelanos que não haverá impunidade", afirmou Aveledo.

A coalizão pediu também o fim de acusações judiciais sem provas a dirigentes políticos, especialmente López, do partido Vontade Popular, e a deputada María Corina Machado. "O Poder Executivo tem o dever de expor com seriedade os motivos concretos que o leva a denunciar um golpe de Estado", acrescentou Aveledo.

Acusações

López, acusado pelo governo de ser "o rosto do fascismo" e mentor dos protestos violentos de quarta-feira passou o dia em sua casa, em Caracas. Por meio de sua conta no Twitter, ele desafiou Maduro. "Você não tem coragem de me prender? Ou está esperando ordens de Havana", disse López. "A verdade está ao meu lado."

O presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, acusou López, também em sua conta no Twitter, de estar com passagens compradas para fugir para a Colômbia. "Você não escapará, covarde", escreveu Cabello.

Advogados de López disseram na quinta-feira ter recebido extraoficialmente a notícia do mandado de prisão contra o oposicionista. Desde então, nas redes sociais, líderes chavistas têm dito que unidades de inteligência monitoram portos e aeroportos para evitar uma possível fuga de López. Porta-vozes do oposicionista veem uma campanha de intimidação contra ele.

"Vamos continuar nas ruas pelos mesmos motivos: a inflação, a criminalidade e, agora, o Estado repressor que não quer soltar nossos companheiros", afirmou o estudante Marcos Matta. O líder da Federação de Centros Universitários da Unidade Central da Venezuela, Juan Requesens, afirmou que as autoridades tinham libertado mais da metade dos presos.

A Procuradoria-Geral venezuelana anunciou que processará judicialmente dez dos manifestantes detidos na quarta-feira sob acusação de depredar instalações da polícia após as manifestações em Caracas. Todos foram postos em liberdade após serem indiciados por incitação ao crime, dano, associação para o crime e corrupção de menores.

As ONGs Human Rights Watch e Anistia Internacional - além das Nações Unidas - pediram investigações sobre as mortes dos manifestantes ocorridas na quarta-feira. A OEA condenou a violência.

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