Oposição exige reforma ou saída de Chávez

Fortalecidos pelo êxito da maior manifestação contra o governo já vista na Venezuela - o "Paro Cívico" de segunda-feira -, opositores de Hugo Chávez começaram, nesta terça-feira, a exigir uma ampla reforma ministerial ou a saída do presidente.A Central de Trabalhadores da Venezuela (CTV) anunciou paralisação de dois dias na próxima semana. Na avaliação do cientista social venezuelano Anibal Romero, professor da Universidade Simon Bolívar, as chances de composição política são mínimas.Romero acredita que Chávez pode até fazer algumas mudanças no ministério, mas para levar mais militares ao primeiro escalão, fazendo um governo de exceção. "As condições estão dadas para um desesenlace muito em breve, não sei se bom ou mau. Chávez não vai deixar de ser Chávez. Ele pode, como Allende, optar por governar com os militares. Os militares devem estar preocupados e vão apoiá-lo, para manter a ordem. Mas, depois, vão abandoná-lo, como aconteceu com Allende. Chávez vai radicalizar, mas não vai durar muito tempo", disse Romero hoje à Agência Estado.Para Romero, Chávez cometeu, na segunda-feira, um "erro fundamental" ao endurecer o discurso no dia do maior protesto contra seu governo. "A imensa maioria dos venezuelanos entendeu que ele não tem condições para governar o país", acredita o professor.Na avaliação do cientista social, Chávez foi reduzindo suas alternativas de reação aos opositores e, por isso, o mais provável agora é que imponha ainda mais seu poder sobre as Forças Armadas e use este poder para tentar manter-se no governo. "Há seis meses, ele tinha muitas opções. Há três meses, tinha bastante. Há um mês, algumas. Há uma semana, poucas. Hoje não tem nenhuma. Chávez está encurralado", diz Anibal Romero.Na avaliação de Romero, ao anunciar a intenção de apressar a promulgação de uma Lei de Conteúdo, que regulará os meios de comunicação, Chávez está dizendo que iniciará uma nova fase de seu governo."O que pode ser uma Lei de Conteúdo? Impor um estado de exceção. Mas no mundo de hoje não há condições de levar muito tempo adiante um regime de exceção. Veja o que aconteceu com Fujimori", completa Romero, referindo-se ao ex-presidente peruano Alberto Fujimori.Anibal Romero duvida de qualquer tipo de ação da Assembléia Nacional que represente possibilidades concretas - por exemplo, de revisão do pacote de leis baixado por Chávez em novembro, que significou a gota d´água na insatisfação do empresariado e fez ressurgir a força da Federação de Câmaras da Venezuela (Fedecámaras), principal organizadora da greve, que estava praticamente "enterrada", como diz Romero. "Chávez não foi capaz de criar instituições independentes, nem no Legislativo, nem no Judiciário", sustenta o professor.Nesta terça-feira, a CTV, que aderiu ao "Paro Cívico" e é formada pelos empregados das grandes indústrias, formando uma minoria organizada de trabalhadores, anunciou a retomada das paralisações a partir da próxima semana, com possibilidade de uma greve geral. Anibal Romero acredita que o empresariado estaria disposto a aderir à greve da CTV.Opositores como o presidente do Conselho Nacional de Ex-Governadores, William Davila, e o ex-presidente da República Luis Herrera Campíns declararam que, se não abrir o diálogo, Chávez deve deixar o governo. "Se ele não retificar (os rumos do governo), terá que pegar a mala e sair", disse Davila.Os opositores querem um documento oficial em que o governo se comprometa a rever pontos do pacote de leis e ouvir as oposições.A tese de Romero é que analistas políticos cometeram um erro de apreciação ao não levarem Chávez a sério, acreditando que fosse mais um folclórico governante populista de esquerda."Ele é um verdadeiro revolucionário. E os revolucionários não governam; fazem revolução. Há um ano, ele tinha o país nas mãos. Mas pensou que podia fazer revolução de esquerda na Venezuela, quando foi eleito para limpar um passado e construir um futuro democrático, de crescimento econômico", diz Anibal Romero.

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