Oposição faz protesto e exige novas eleições na Geórgia

Milhares de opositores foram às ruas pedindo a anulação do pleito legislativo 'fraudulento' do dia 21

Efe,

26 de maio de 2008 | 15h19

Milhares de opositores georgianos saíram nesta segunda-feira, 26, às ruas para exigir a repetição das eleições legislativas do 21 de maio e seus líderes anunciaram que boicotarão o trabalho do novo Parlamento. "O povo exige que (o presidente, Mikhail) Saakashvili anuncie a anulação das fraudulentas eleições", declarou Koba Davitahsvili, um dos líderes opositores, durante um grande comício.   Veja também: Governistas declaram vitória na Geórgia; oposição protesta   A oposição pediu à Comissão Eleitoral Central (CEC) que não anunciasse os resultados oficiais do pleito. "Exigimos que a CEC não faça o anúncio oficial, caso contrário nosso protesto ganhará força e não nos conformaremos com os comícios", disse Davitahsvili, que foi ouvido por 10 mil militantes.   A manifestação da oposição coincidiu com a parada militar realizada no centro de Tbilisi para comemorar os 90 anos da proclamação da independência da Geórgia. Devido aos protestos, o desfile durou apenas 30 minutos.   Milhares de pessoas que tinham assistido ao desfile se uniram depois aos opositores na frente do edifício do Parlamento. O líder do bloco Oposição Unificada (OU), Leván Gachechiladze, tentou entrar no Parlamento para exigir a convocação de "novas eleições", mas foi impedido pelas forças de segurança.   "Lutaremos contra o regime, mas de forma pacífica. Os atos de protesto continuarão diariamente até que as autoridades ordenem a repetição do pleito", disse.   Em seguida, Gachechiladze anunciou a realização de um "grandioso comício" da oposição no dia 10 de junho, data da primeira sessão do novo Legislativo, a fim de boicotar seus trabalhos. Além disso, adiantou a criação de um Parlamento "paralelo."   "A oposição não reconhece a legitimidade das eleições legislativas e renuncia aos seus mandatos de deputado. Exigimos a repetição do pleito", disse o memorando assinado pelos principais líderes opositores.   Resposta governista   Saakashvili é acusado pela oposição de liderar um governo "criminoso", afirmou que a linguagem de "ultimato" utilizada pela oposição é "inaceitável". "O povo georgiano já fez sua escolha. Um Parlamento foi eleito e começará a trabalhar nos prazos estabelecidos pela Connstituição", afirmou.   O presidente assegurou que seu partido, o governista Movimento Nacional Unido e obteve 120 das 150 cadeiras no Parlamento, "respeita a minoria". "Por isso, a minoria deve, por sua vez, respeitar a maioria e a opinião do povo. O diálogo é a única alternativa", disse o presidente.   Ao mesmo tempo, Saakashvili se mostrou "disposto" a cooperar em nome dos "interesses gerais" e do "desenvolvimento" do país. Em Tbilisi, teme-se que os novos protestos da oposição resultem em violentos confrontos com a Polícia, como os de novembro, que deixaram oito mortos.   Saakashvili, então, ordenou a dispersão das manifestações pela força, decretou o Estado de Exceção e convocou eleições presidenciais antecipadas.   'Série de problemas'   Em sua avaliação das eleições georgianas, a missão de observadores do Conselho da Europa (CE) concluiu que os padrões internacionais não foram "plenamente" seguidos devido a uma "série de problemas."   Os observadores do CE criticaram a apuração e o fato de que as autoridades mudaram unilateralmente a lei eleitoral às vésperas da votação.   Por outro lado, os observadores afirmaram que as irregularidades não interferiram no pleito e o processo eleitoral "foi livre". A situação obteve 120 deputados, enquanto os partidos de oposição ficaram com as 30 cadeiras restantes.   A oposição também criticou o apoio incondicional dos Estados Unidos a Saakashvili, seu principal aliado na região, e pediram que a Geórgia melhore as relações com a vizinha Rússia.

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