Oposição formaliza candidaturas para eleições no Paquistão

Benazir Bhutto e Nawaz Sharif ainda ameaçam boicotar pleito se Musharraf não revogar estado de emergência

Agências internacionais,

26 de novembro de 2007 | 10h04

A ex-primeira-ministra paquistanesa Benazir Bhutto e o ex-premiê Nawaz Sharif entregaram nesta segunda-feira, 26, os papéis para suas candidaturas às eleições parlamentares de 8 de janeiro.Bhutto, líder do Partido Popular do Paquistão (PPP), apresentou os papéis de sua candidatura ao Parlamento pelo distrito de Lakarna, na região de Punjab, a poucas horas de terminar o prazo oficial para a entrega dos documentos à Comissão Eleitoral, informou o canal de televisão Dawn.Sharif apresentou sua candidatura, embora tenha mantido a ameaça de boicotar o pleito. Ele afirmou ainda que não pretende comandar nenhum governo enquanto Musharraf estiver no poder e que o presidente deve reempossar os juízes destituídos sob o estado de emergência. No sábado passado, a aliança opositora APDM (que inclui o partido de Sharif) afirmou que boicotaria as eleições se o regime de Pervez Musharraf não suspendesse o Estado de exceção em quatro dias.Em meio a temores sobre possíveis episódios de violência política, o ex-premiê paquistanês Nawaz Sharif retornou neste domingo ao país, vindo da Arábia Saudita, onde estava exilado havia sete anos. Esta é a segunda tentativa de Sharif de retornar ao Paquistão nos últimos três meses. Em setembro, ele foi preso e deportado após a primeira tentativa.O presidente da aliança religiosa Muttahida Majlis-e-Amal (que também é do APDM), Quazi Hussain Ahmed, decidiu não concorrer desta vez, mas outro membro de seu partido, Fazl-ur-Rehman, líder da oposição no Parlamento na legislatura anterior, tentará o cargo.A Comissão Eleitoral deve rever as candidaturas até 3 de dezembro. Após um período de deliberação, as formações registradas poderão sair em 15 de dezembro, e a lista final será publicada um dia depois.O Paquistão está em estado de emergência desde 3 de novembro, quando Musharraf suspendeu a Constituição alegando o aumento da violência extremista e a ingerência dos magistrados na política do governo.Governos ocidentais temem que o estado de emergência, com restrições às liberdades democráticas, acabe dando vantagem aos militantes islâmicos ativos no país.Houve mais de 25 atentados suicidas no país desde julho, sendo dois deles no sábado, em Rawalpindi, com pelo menos 15 mortos. Paralelamente, segundo os militares, 15 militantes foram mortos em combates no vale do Swat.O general Musharraf ganhou um novo mandato numa eleição indireta e deve deixar o comando do Exército para tomar posse pela segunda vez nos próximos dias.

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