Oposição formaliza coalizão contra presidente no Paquistão

Líderes, que dispõem de dois terços do Parlamento, reafirmam governo conjunto para enfrentar Musharraf

Efe,

27 de fevereiro de 2008 | 10h25

Os líderes dos três partidos opositores paquistaneses que decidiram formar uma coalizão de governo ratificaram nesta quarta-feira, 27, o compromisso, após anunciar que dispõem de uma maioria próxima a dois terços. Após um encontro surpresa no Hotel Marriott de Islamabad, transmitido ao vivo pelos canais locais, o líder do Partido Popular do Paquistão (PPP), Asif Ali Zardari, afirmou que as três legendas "compartilharão a responsabilidade que devem à nação e ao Parlamento". "Abre-se um novo capítulo para a democracia", ressaltou o viúvo da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, que insistiu na necessidade de uma mudança no Paquistão. "O Paquistão está à beira do desastre, mas eu dou ao mundo a esperança de que vai estar à beira das oportunidades", acrescentou. O ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif, que lidera a Liga Muçulmana do Paquistão-N (PML-N), a segunda força com mais representação no Parlamento, insistiu em que sua legenda "está preparada para governar em coalizão". "Vamos apoiar um ao outro, esquecendo nossos interesses pessoais", afirmou Sharif, que aproveitou para voltar a criticar o presidente paquistanês, Pervez Musharraf, ao assegurar que "a nação deu seu veredicto contra o ditador". Já o líder do Partido Nacionalista Awami, Asfandyar Wali, cujo partido laico se transformou na surpresa do pleito, assegurou que os três partidos "estão unidos por uma causa comum". Wali acrescentou que se deve "restaurar a democracia e a vigência da lei". Na última quinta-feira, Zardari, Wali e Sharif decidiram formar governos de coalizão tanto no Parlamento nacional como nas assembléias provinciais, embora um líder da PML-N tenha indicado a possibilidade de que o partido desse apoio parlamentar externo ao PPP, ao invés de entrar no governo. Nas eleições legislativas de 18 de fevereiro, o PPP ganhou 88 das 272 cadeiras em disputa, seguido do partido de Sharif, com 67, enquanto a Liga Awami conseguiu dez deputados.

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