Oposição japonesa quer forçar eleição antecipada

A oposição japonesa obstruiu votações parlamentares, inclusive sobre um pacote de auxílio aos bancos, como parte de seus esforços para antecipar as eleições - uma estratégia que ameaça paralisar ainda mais uma economia que já está em recessão. O projeto financeiro afetado visa a injetar dinheiro público em bancos, especialmente os regionais, para melhorar a oferta de crédito para micro e pequenas empresas. Outro projeto obstruído diz respeito à prorrogação das operações navais japonesas de apoio aos Estados Unidos no Afeganistão, cujo mandato expira em janeiro. A eventual suspensão das operações pode gerar um começo turbulento nas relações com o governo de Barack Obama nos EUA. O primeiro-ministro Taro Aso disse a jornalistas na terça-feira que, diante da importância dos dois projetos, pode ser necessário adiar o recesso parlamentar, caso a oposição mantenha sua intransigência. "As coisas pararam devido à obstrução política, e isso não pode ser bom nem para a economia nem para a confiança dos investidores no mecanismo político", disse Robert Feldman, economista-chefe do banco Morgan Stanley em Tóquio. A economia japonesa entrou em recessão no terceiro trimestre, pela primeira vez em sete anos, devido à redução mundial da demanda e à falta de competitividade das exportações japonesas, em consequência do iene valorizado. O Partido Democrático, o maior da oposição no Japão, recusa-se a votar a prorrogação da missão naval e o pacote bancário no Senado, segundo relatos da imprensa e de dirigentes governistas. O PD controla o Senado em aliança com pequenos partidos. A não-prorrogação da missão naval pode criar atritos com o novo governo dos EUA, que toma posse em 20 de janeiro. Já o pacote financeiro seria importante para dar confiança aos bancos regionais e aos seus pequenos clientes empresariais. "No Japão, os grandes bancos não estão realmente com problemas, então não se trata da economia em geral", disse o economista Martin Schulz, do Instituto de Pesquisas Fujitsu. "Mas é muito possível que algumas economias regionais tenham problema, e as injeções seriam muito importantes para estabilizar as regiões." (Reportagem adicional de Yoko Kubota)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.