Oposição lança ofensiva contra hegemonia chavista

A campanha eleitoral venezuelana para a eleição do próximo domingo é a mais singular desde a ascensão de Hugo Chávez ao poder, em 1999. A oposição unificou-se em torno de um nome forte, Henrique Capriles Radonski. Chávez, recém-saído de um tratamento contra um câncer pélvico, não pode empregar toda sua energia na campanha de rua. Ele lidera a maioria das pesquisas, mas Capriles aposta nos indecisos e nos jovens para reverter o quadro.

AE, Agência Estado

30 de setembro de 2012 | 07h45

Chávez aumentou os investimentos em programas sociais para manter a fidelidade de seu eleitorado e tenta mobilizá-lo com um discurso polarizador. O presidente vincula os investimentos em habitação, educação, saúde e alimentação à sua gestão e acusa a coalizão opositora Mesa de Unidade Democrática (MUD) de ter um "pacote neoliberal" pronto para ser implementado, caso vença a eleição.

Para o diretor da consultoria Econométrica, Ángel García Banchs, Chávez usa programas sociais para obter respaldo político. "Ele utiliza a renda do petróleo para incluir a população na esfera de consumo, não no sistema produtivo", diz. "Não são programas sociais, mas políticos. Para ele, o Estado, o chavismo, o governo e a PDVSA (estatal do petróleo) são a mesma coisa."

O líder bolivariano também surpreendeu quem esperava dele uma "campanha eletrônica", distante das ruas, em razão de seu estado de saúde. Chávez concluiu em maio o tratamento contra a reincidência do câncer em Cuba. Analistas e jornalistas críticos ao chavismo - entre eles Nelson Bocaranda, o primeiro a dar a notícia sobre a doença - previram poucos meses de vida para o presidente e colocaram em dúvida sua participação na eleição.

"A doença deu à campanha um marco de grande incerteza", reconhece o analista político Carlos Romero, da Universidade Central da Venezuela (UCV). "Chávez está melhor, mas não está curado. Ele entendeu que é o mobilizador do chavismo e decidiu participar mais ativamente da campanha."

Capriles optou por um discurso conciliador, sem ataques diretos ao presidente, e com uma campanha porta a porta. O opositor visitou cerca de 260 cidades do país desde o início da campanha, em julho. O candidato promete manter e melhorar as missões - ponta de lança de seus projetos sociais - e recuperar a Venezuela para o investimento privado externo e interno. O opositor costuma vincular o seu modelo ao adotado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Pesquisas. O diretor do instituto de pesquisa Datanálisis, Luís Vicente León, avalia que se Capriles continuar conquistando o voto dos eleitores indecisos na proporção atual, o resultado final será imprevisível. Nos últimos seis meses, 80% dos indecisos optaram por Capriles. Se a tendência continuar, a vantagem de Chávez pode cair no dia da eleição para 3 pontos porcentuais. "Se os números se comportarem da maneira que têm se comportado, pode ser um perigo para Chávez", disse León, ao apresentar a última pesquisa do Datanálisis - dos institutos venezuelanos, o de maior credibilidade - na terça-feira. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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