REUTERS/Ueslei Marcelino
REUTERS/Ueslei Marcelino

Oposição venezuelana lança último esforço contra Assembleia Constituinte

Manifestantes pretendem manter as barricadas e sair às ruas neste domingo em meio à votação convocada por Maduro

O Estado de S.Paulo

29 Julho 2017 | 15h27

CARACAS  - Manifestantes venezuelanos bloquearam ruas neste sábado, em um último esforço para atrapalhar a eleição da Assembleia Constituinte, neste domingo, segundo a qual adversários do presidente Nicolás Maduro afirmam que dará ao líder socialista ainda mais poder.

O país rico em petróleo, mas envolvido em uma profunda recessão, está há quase quatro meses sendo tomado por protestos contra Maduro que deixaram 109 mortos em confrontos com forças de segurança, que responderam com gás lacrimogêneo, canhões d'água, balas de borracha e até com munição real.

"Vamos estender as barricadas até amanhã e todos irão às ruas no domingo para exigir a transformação da Venezuela", disse o congressista de oposição Freddy Guevara, no Twitter.

Os caraquenhos acordaram em ruas sujas com detritos, onde os manifestantes enfrentaram as forças de segurança durante a semana. Aqueles que são contra o socialismo de Maduro afirmaram que não votarão na eleição de domingo.

"Eu não vou votar amanhã. Vou ficar em casa, ver algumas séries na TV, e me juntar aos protestos, claro", disse Margarita López, assistente médica,  próxima a uma barricada. "Pode não fazer nenhum bem, mas nossas vozes precisam ser ouvidas".

O governo baniu protestos entre sexta e terça-feira, mas o líder opositor Henrique Capriles convocou seus seguidores a manter os protestos nas principais estradas do país no domingo.

Dos 6.120 candidatos da eleição de domingo para uma Assembleia Constituinte com 545 membros, nenhum é da oposição venezuelana - que está boicotando o processo, por considerá-lo um pleito manipulado para consumar uma ditadura.

Críticos afirmam que Maduro está menos interessado em reescrever a Constituição, que já fornece poderes generosos para o Executivo, do que em obter os poderes quase absolutos que o novo corpo legislativo pode ter.

A ausência da participação da oposição significa que os candidatos à assembleia são uma mistura de líderes conhecidos do Partido Socialista e ativistas pró-governo.

O Comando Zamora 200, controlado pelo governo, anunciou que atenderá os casos de pessoas que não estiverem conseguindo chegar aos centros de votação em razão dos protestos contra o governo.  O líder do comando, Jorge Rodríguez, disse que nas próximas horas divulgaria um número de telefone para que as pessoas enviem mensagens de texto e tenham asseguro seu direito ao sufrágio, segundo ele "ameaçado por setores antidemocráticos".  / REUTERS e EFE

 

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