Oposição lidera disputa eleitoral sul-coreana

Desilusão da população com políticas liberais do atual governo favorece candidatura conservadora à presidência

Angela Perez, O Estadao de S.Paulo

17 de dezembro de 2007 | 00h00

O candidato conservador à presidência da Coréia do Sul, o oposicionista Lee Myung-bak, do Grande Partido Nacional, deve obter uma ampla vitória nas eleições de quarta-feira. Segundo pesquisa do jornal Joong Ang Ilbo, Lee tem 43,6% das intenções de voto, cerca de 27 pontos de vantagem sobre seus principais rivais, o candidato do governista Novo Partido Democrático Unido (NPDU), Chung Dong-young, de 54 anos, e o candidato independente Lee Hoi-chang, de 72 anos.Ex-prefeito de Seul e ex-executivo do gigantesco Grupo Hyundai, Lee, de 65 anos, vem sendo beneficiado pelo que os analistas qualificam de uma desilusão da população com os governos liberais do atual presidente, Roh Moo-hyun, e seu antecessor, Kim Dae-jung.Ambos esforçaram-se para melhorar as relações com a Coréia do Norte, dando ao país comunista bilhões de dólares em ajuda. Mas a relutância de Pyongyang em abandonar seu programa nuclear e melhorar as condições de direitos humanos gerou duras críticas dos sul-coreanos contra seu governo.Na campanha, Lee disse que será muito menos tolerante com a Coréia do Norte. Ele se descreve como "presidente da economia" e promete reduzir os entraves para as empresas e abrir ao investimento estrangeiro o mercado da quarta maior economia da Ásia. Seu programa econômico prevê um crescimento anual de 7% - atualmente é de 5% - e a criação de 600 mil novos postos de trabalho."Se Lee for eleito, os sul-coreanos devem esperar uma melhora na relações com os EUA. Mas as relações com a Coréia do Norte não devem progredir tão rápido como vem ocorrendo", disse ao Estado Donald Gregg, ex-embaixador dos EUA na Coréia do Sul entre 1989 e 1993. O governo do presidente Roh tem sido criticado por divergir dos EUA sobre o modo de lidar com a Coréia do Norte, privilegiando a diplomacia em vez da pressão militar.A popularidade de Lee aumentou cerca de 10 pontos porcentuais na semana passada, depois que um tribunal o inocentou da acusação de cumplicidade em um grande escândalo de fraude. O coreano-americano Kim Kyung-jun, que era sócio de Lee em uma empresa de investimentos, fugiu para os EUA em 2001, após ser acusado de desviar milhões de dólares de investidores.O escândalo, que perseguiu Lee durante meses, foi intensificado no início do mês, após os EUA extraditarem Kim para a Coréia do Sul. Mas os promotores disseram não ter encontrado nenhuma evidência do envolvimento do candidato conservador no caso. Apesar da decisão judicial, o presidente Roh Moo-hyun ordenou ontem que o Ministério da Justiça reabra o caso contra o candidato opositor."Lee ficou em uma ótima posição após ser inocentado. A única coisa que pode prejudicá-lo é o elevado número de eleitores indecisos que, segundo algumas pesquisas, seria de 27%", disse ao Estado Victor Cha, diretor de Estudos Asiáticos da Universidade Georgetown.Onze candidatos participarão das eleições presidenciais sul-coreanas. Uma pesquisa do governo indicou que também haverá muitas abstenções. Segundo a sondagem, 67% dos 37,6 milhões de eleitores pretendem ir às urnas, uma queda de 13 pontos em relação a 2002. Alguns analistas acreditam que o fato de Lee ter sua vitória praticamente garantida levará os eleitores a permanecer em casa. Mas a participação eleitoral vem decaindo na Coréia do Sul desde que o voto popular foi restaurado em 1987, após sete anos de regime autoritário de Chun Doo-hwan. Nas eleições de 1987, 89% dos eleitores foram às urnas.O Grande Partido Nacional, de Lee, tem 128 cadeiras do Parlamento, e o governista NPDU, de Chung, 140, permanecendo como o maior partido político até as eleições parlamentares de abril.Chung, ex-âncora de TV, tem 16,8% das intenções de voto. Atribui-se sua baixa popularidade à sua ligação com o impopular governo liberal de Roh, de quem ele foi ministro da Unificação. "O presidente Roh foi considerado muito brando e liberal, particularmente pelos sul-coreanos mais velhos, que não confiam na Coréia do Norte. Roh também foi responsabilizado pelos problemas econômicos e por ter estremecido as relações com Washington", disse o ex-embaixador americano.O terceiro principal candidato, Lee Hoi-chang, tem 16,3% das intenções de voto. O ex-juiz e ex-primeiro-ministro sofreu intensa pressão para desistir da disputa após o principal candidato se livrar das acusações de fraude. Lee prometera deixar a política depois de sofrer sua segunda derrota consecutiva nas eleições presidenciais de 2002, com sua reputação abalada por acusações de evasão fiscal e recebimento ilegal de fundos de campanha.

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