AP Photo/Vincent Yu
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Oposição marca nova manifestação em Hong Kong contra lei sobre extradições

Protestos estão previstos para quarta-feira, 12, mesma data em que o Conselho Legislativo (LegCo), o 'Parlamento' local, examinará o projeto de lei que permitirá extradições para a China

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2019 | 09h36

HONG KONG -  Novas manifestações foram convocadas para quarta-feira em Hong Kong em protesto contra um polêmico projeto de lei que permitirá extradições para a China, depois que o governo da região, favorável a Pequim, se recusou a retirar o texto.

Um dia após uma gigantesca manifestação na ex-colônia britânica para protestar contra o projeto de lei, a oposição convocou uma nova mobilização. "Em 12 de junho, esperamos que a Frente Civil dos Direitos Humanos inicie a manifestação às 10h00 locais (23h00 de Brasília da terça-feira)", afirmou nesta segunda-feira, 10, Jimmy Sham, um dos organizadores do movimento.

Sham fez o anúncio depois que o governo de Hong Kong se recusou a desistir do polêmico projeto de lei. "É uma lei muito importante que permitirá o triunfo da justiça e garantirá que Hong Kong cumpra com suas obrigações internacionais em termos de criminalidade transfronteiriça e transnacional", declarou a chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam

Muito combativa diante da imprensa, Carrie Lam, reafirmou que o Conselho Legislativo (LegCo), o "Parlamento" local, examinará na quarta-feira, como estava previsto, o projeto de lei.

Ao mesmo tempo, o governo chinês destacou que "continuará apoiando de modo veemente" o projeto de lei apresentado pelas autoridades de Hong Kong. 

"Nos opomos fortemente a qualquer força estrangeira que intervenha nos assuntos legislativos de Hong Kong", disse Geng Shuang, porta-voz do ministério das Relações Exteriores da China.

Shunag fez referência a reuniões da oposição de Hong Kong com o secretário de Estado americano Mike Pompeo e com a presidente da Câmara de Representantes dos Estados Unidos, a democrata Nancy Pelosi.

A imprensa oficial chinesa atribuiu a responsabilidade das enormes manifestações organizadas no fim de semana em Hong Kong a interferências estrangeiras e acusou os opositores políticos na ex-colônia britânica de "conivência com o Ocidente".

Grande manifestação

No domingo, mais de um milhão de pessoas saíram às ruas da principal ilha do centro financeiro, segundo os organizadores, enquanto a polícia citou 240 mil pessoas no máximo. 

Foi o maior protesto no território desde 1989, quando 1,5 milhão de pessoas expressaram apoio aos manifestantes da Praça Tiananmen (Praça da Paz Celestial). Na época, Hong Kong ainda estava sob o governo colonial britânico. 

As imagens aéreas que mostravam as ruas estreitas de Hong Kong lotadas rodaram o mundo. Mas na China continental, o principal telejornal não mencionou o evento e as buscas na rede social Weibo foram censuradas.

Os críticos do texto consideram que o projeto das autoridades de Hong Kong pró-Pequim deixará a população à mercê de um sistema judicial chinês opaco e politizado. O Executivo de Hong Kong, no entanto, afirma que a lei vai preencher um vazio jurídico.

Lam negou ignorar os manifestantes e afirmou que sua administração já fez importantes concessões para garantir o respeito às liberdades únicas existentes em Hong Kong e que a lei estará dentro dos parâmetros internacionais dos direitos humanos. 

"Minha equipe e eu não ignoramos as opiniões expressadas sobre esta importante peça de legislação. Escutamos muito atentamente", afirmou a chefe do Executivo de Hong Kong.

Um país, dois sistemas

Segundo os termos do acordo sino-britânico sobre a devolução de Hong Kong a China, a cidade goza de mais liberdades que o restante do Estado asiático em virtude do princípio "Um país, dois sistemas", em tese até 2047.

A desconfiança a respeito da China aumentou com o desaparecimento de uma série de personalidades críticas a Pequim, incluindo um grupo de editores dissidentes e um bilionário, que reapareceram detidos no continente. / AFP

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