AFP PHOTO / LUIS ROBAYO
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Oposição marcha até o coração do poder militar na Venezuela

Número de mortos em protestos contra o governo sobe para 58; polícia detém avanço de manifestação

O Estado de S.Paulo

26 Maio 2017 | 16h55

CARACAS - "Até que seja necessário". Com esse mote, a oposição voltou às ruas de Caracas nesta sexta-feira para marchar até o Forte Tiúna - base militar simbólica das Forças Armadas venezuelanas - para desafiar os militares venezuelanos, considerados o principal apoio do governo de Nicolás Maduro.

A base de Los Próceres, zona militar de Caracas,abriga o ministério da Defesa é a maior instalação militar do país. A Guarda Nacional Bolivariana (GNB) impede o avanço da marcha pela autopista Francisco Fajardo - que liga oeste e leste da capital. O governo afirmou que não permitirá o avanço do protesto.  Mas vários piquetes lhes impedem a passagem.

À oposição somou-se um grupo de militares reformados, que denunciaram os "atropelos" de seus colegas da ativa contra manifestantes e expressaram seu repúdio à Constituinte proposta por Maduro, que quer introduzir "um regime comunista".  

As manifestações ocorrem depois de a procuradora-geral, Luisa Ortega, de 59 anos, responsabilizar a GNB  pela morte de um jovem e de mais de 500 feridos durante os protestos. Desde o início dos protestos, no fim de março, 58 pessoas já morreram. A última morte foi confirmada hoje pela manhã.

Em claro desafio ao governo, Ortega, chavista confessa, destacou que a morte de um jovem durante um protesto em Caracas foi provocado pelo impacto de uma bomba de gás lacrimogêneo e não por uma pistola de abate usada pelos manifestantes, como afirmam as autoridades venezuelanas.

"Mais da metade dos feridos se deu pela ação de forças de segurança", disse.

O ministro do Interior e Justiça, general Néstor Reverol, defendeu a atuação dos corpos de segurança, ao mesmo tempo em que a acusou a Procuradoria de promover um "clima de impunidade" diante de atos de violência de opositores.

Vários líderes opositores, como o presidente do Legislativo, Julio Borges, pediram à Força Armada para respeitar a lei ao denunciar uma forte repressão. "Não queremos que uma Força Armada que se passe para a oposição, queremos uma Força Armada que se passe para a Constituição", expressou Borges recentemente.

No outro extremo da cidade, uma maré vermelha de chavistas com cartazes com dizeres como "Sim à Constituinte" se dirige ao Palácio Presidencial de Miraflores, em apoio ao projeto convocado pelo presidente Maduro.

"Estamos mobilizados em apoio a uma Constituinte, uma Constituinte da paz e do futuro", destacou Kennedy Morales, líder estudantil de 24 anos.  / AFP

 

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