Oposição na França pressiona pela renúncia de Villepin

A oposição na França, que pede a renúncia do primeiro-ministro, Dominique de Villepin, no meio do escândalo de calúnias contra o titular do Interior, Nicolas Sarkozy, ganhou força neste sábado com novas vozes que pediram a antecipação das eleições. Embora o Partido Socialista (PS) e a União pela Democracia Francesa (UDF) não tenham pedido formalmente a retirada de Villepin, vários de seus dirigentes reivindicaram a renúncia por considerar que o desgaste do primeiro-ministro e as lutas internas no Gabinete tornam a situação insustentável. O eurodeputado socialista Vincent Peillon afirmou que Villepin "deveria ter se demitido há muito tempo por outras razões" e agora que está "envolvido em um assunto judicial grave" não pode continuar governando o país. Na mesma linha, o eurodeputado da UDF Jean-Louis Bourlanges, comentou que "parece difícil" que o presidente francês, Jacques Chirac, substitua o primeiro-ministro por querer "evitar que seus cinco anos (de mandato) terminem em um naufrágio completo". O eurodeputado sugeriu a necessidade de adiantar as eleições presidenciais e legislativas previstas para o próximo ano, porque "nada será possível na França enquanto não acontecer a eleição presidencial". A Promotoria de Paris negou ter divulgado informações de que Villepin terá que prestar depoimento aos juízes instrutores, dentro do caso aberto devido às calúnias contra Sarkozy e outras personalidades políticas. O escândalo explodiu com a divulgação de uma lista de supostos receptores de comissões ilegais em contratos para a compra de armamentos na qual estava o nome do Ministro do Interior, mas que depois constatou-se que era falsa. A possibilidade de que Villepin tenha que se apresentar no tribunal é uma das principais ameaças que pesam sobre o primeiro-ministro, que descartou uma remodelação de seu Governo. No entanto, o Palácio do Eliseu desmentiu esta hipótese. O chefe do Governo também negou ter encarregado em 2004 o general de serviços secretos Philippe Rondot de investigar Sarkozy depois do aparecimento de seu nome nesta lista. Fontes próximas a Rondot negaram que Villepin tenha pedido esta investigação, e denunciou que o general estava sendo usado neste caso, e que se sentia "escandalizado" pela forma como a imprensa tratou suas declarações perante os juízes.

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