Oposição nega que irá desistir de eleição no Zimbábue

Membros do partido de Tsvangirai confirmam que candidato disputará o 2.º turno com Mugabe

Agências internacionais,

20 de junho de 2008 | 18h14

Membros do partido oposicionista do Zimbábue negaram nesta sexta-feira, 20, que haja qualquer possibilidade da legenda desistir do segundo turno das eleições presidenciais. O representante em Londres do Movimento para Mudança Democrática (MDC) Matthew Nyashanu, do candidato Morgan Tsvangirai, disse à rede CNN que a legenda precisa ir adiante e continuar na disputa "apesar da violência que está sendo lançada" pelo governo do presidente Robert Mugabe.   Veja também: 'Somente Deus irá me tirar do poder' do Zimbábue, diz Mugabe Oposição do Zimbábue decide na segunda se disputará 2.º turno Partidários de Tsvangirai são queimados vivos no Zimbábue   A informação aparece após Mugabe dizer que somente deixará o poder "quando a região voltar à maioria negra", a despeito as novas ameaças de sanções da União Européia. "Uma vez que eu estiver certo que esse legado (de devolver as terras aos negros) realmente estiver em nossas mãos, poderei dizer que o trabalho foi feito", afirmou, de acordo com a CNN. Ele declarou ainda que "somente Deus" poderá fazê-lo sair da presidência.   Um porta-voz do partido afirmou nesta sexta que Tsvangirai, que venceu o primeiro turno da eleições em 29 de março, estaria cogitando abandonar a corrida presidencial e não participar do segundo turno. O porta-voz Nelson Chamisa havia anunciado que o grupo deve decidir na próxima segunda-feira, 23, se participará do pleito.   O tesoureiro-geral do partido de Tsvangirai, Roy Bennett, confirmou à CNN que a legenda não pretende sair da disputa presidencial. "Sair das eleições agora seria ceder a um violento ditador, que prepara uma dura guerra contra seu próprio povo para permanecer no poder", destacou.   "O MDC continuar a resistir diante desta opressão pelo nosso comprometimento com a mudança democrática e seguirá o desejo do povo. Nos encoraja saber que um bom número de líderes africanos estão condenando a violência e o assédio contra o povo do Zimbábue", completou Bennett.   Observadores locais e internacionais acreditam que as eleições da próxima semana não serão livres nem justas, o que levou a questionamentos em relação se o pleito deveria seguir adiante.   O Movimento para Mudança Democrática acusa os militantes do partido de Mugabe (ZANU-PF) de prisões, seqüestros e assassinatos de mais de 70 pessoas desde o primeiro turno das eleições. Tsvangirai foi preso várias vezes nas últimas semanas.   Mugabe está no poder desde 1980. No início de seu governo, era celebrado por defender a reconciliação racial e reerguer a economia do país. Nos últimos anos, porém, Mugabe passou a ser acusado de perpetuar-se no poder por meio de fraudes, de arruinar a economia zimbabuana e de intimidar seus opositores.

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