Oposição nepalesa aprova a mensagem de Gyanendra

Líderes da oposição nepalesa consideraram "positiva" a mensagem do rei Gyanendra, que na noite de segunda-feira, horário local, anunciou a restauração do Parlamento, enquanto a população da capital promove manifestações comemorando a vitória da democracia. O membro do Comitê Central do Congresso Nepalês, principal partido do Nepal, Arjun Narsingh, disse que a mensagem do rei foi "muito positiva". "O rei disse que a soberania e os poderes do Estado emanam do povo, e reconheceu as suas aspirações, mostradas pela mobilização nas ruas e expressas no Mapa de Caminho dos sete partidos", acrescentou Narsingh. Um importante dirigente do Partido Comunista do Nepal, K.P. Sharma Oil, também disse que o anúncio de Gyanendra é "positivo". "As portas para resolver os problemas do país estão abertas", festejou o líder marxista-leninista. "Vamos formar imediatamente um Governo de todos os partidos", disse Sharma Oil, fazendo um apelo aos rebeldes maoístas para que "aceitem o caminho político, segundo o seu acordo com os sete partidos em novembro". Por enquanto, os maoístas não comentaram a decisão. Condolências O rei expressou suas "sinceras condolências pelas pessoas que morreram durante o movimento do povo" e disse que sua intenção com a restauração do Parlamento é "proteger a democracia multipartidária e restaurar a paz". Nos últimos 19 dias, houve protestos em massa nas ruas. Pelo menos 14 manifestantes morreram e centenas ficaram feridas, em confronto com a repressão. Em sua mensagem, Gyanendra variou o tom ao falar da sua tristeza pela morte de manifestantes e da sua solidariedade às pessoas que foram feridas. O Parlamento nepalês foi dissolvido em 2002 pelo rei, que no dia 1º de fevereiro de 2005 assumiu o poder absoluto. Na sexta-feira, ele abriu mão do poder com uma mensagem pela TV, que não foi bem recebida pela oposição. Os protestos redobraram nas ruas do Nepal, até que nesta segunda-feira o rei aceitou as principais reivindicações da oposição. Ele anunciou a primeira sessão do Parlamento para sexta-feira.

Agencia Estado,

24 Abril 2006 | 19h16

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