Alan Santos/Brazilian Presidency/Handout via REUTERS
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Oposição no Congresso brasileiro quer que ministros prestem depoimentos sobre Itaipu

Deputados solicitam depoimentos dos ministros das Relações Exteriores e de Minas e Energia; eles acusam protecionismo do presidente da Comissão de Relações Exteriores, Eduardo Bolsonaro

Ricardo Galhardo, enviado especial a Assunção, O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2019 | 18h13

ASSUNÇÃO - Parlamentares de oposição vão tentar durante esta semana furar o bloqueio imposto pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) para que autoridades brasileiras sejam ouvidas no Congresso sobre o acordo para renegociação da venda de energia de Itaipu.

Eduardo, que é presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, não colocou em pauta na semana passada os pedidos feitos por deputados da oposição para que os ministros das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e de Minas e Energia, Bento Costa Lima Leite e Albuquerque, fossem à Comissão para esclarecer o acordo. O filho do presidente Jair Bolsonaro aceitou incluir na pauta da reunião desta quarta-feira, 14, apenas o requerimento de convite ao diretor brasileiro de Itaipu, Joaquim Silva e Luna.

Por isso, a oposição vai fazer um requerimento extra-pauta durante a reunião para deixar a cargo do conjunto do colegiado as convocações. “O presidente da Comissão, que atualmente se dedica à campanha para ser o embaixador do Brasil em Washington (EUA) não quer nenhum ruído que possa atrapalhar suas pretensões”, disse o deputado Carlos Zarattini (PT-SP), integrante da Comissão.

A oposição tenta em várias frentes levar para Brasília o escândalo que provocou a maior crise do governo do presidente paraguaio Mario Abdo Benítez, acusado de aceitar um acordo “entreguista” com o Brasil para a redistribuição da compra da energia de Itaipu.

Além dos requerimentos na Comissão de Relações Exteriores, a bancada do PT fez uma representação à procuradora-geral da República, Raquel Dodge, para que o presidente Bolsonaro, Araújo e Luna sejam investigados por supostos crimes de improbidade administrativa, corrupção passiva e corrupção ativa.

O foco é a relação dos Bolsonaro com a empresa Léros, ligada ao empresário Alexandre Giordano, suplente do senador Major Olímpio (PSL-SP). Em mensagens enviadas a autoridades paraguaias, o assessor jurídico da vice-presidência do país vizinho, José “Joselo” Rodríguez, associa a Léros ao “governo do Brasil”.

Na semana passada, Giordano e representantes da empresa negaram ter usado o nome do presidente nas negociações.

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