Oposição no Iêmen ameaça ir às ruas para protestar contra resultados eleitorais

Partidos de oposição do Iêmen, nesta sexta-feira, ameaçaram encorajar milhões de apoiadores para tomarem as ruas para protestar contra os iniciais e incompletos resultados das eleições presidenciais nas quais seus candidatos pareceram ter perdido por uma margem maior do que esperada.A ameaça veio em meio a mais alegações de fraude nas eleições de quarta-feira, as quais colocaram o presidente Ali Abdullah Saleh contra seu desafiante mais sério desde que chegou ao poder em 1978 - o ex-executivo do petróleo Faisal bin Shamlan. No fim da noite de quinta-feira, Abdu al-Janadi, um porta-voz da comissão de eleições, disse que Saleh havia obtido 3.4 milhões dos 4.3 milhões de votos contados, enquanto Shamlan recebera apenas 880 mil. Os resultados parciais foram baseados em votos contados de 17 mil, de um total de 27 mil, de urnas. Não foi especificada uma data para os protestos serem realizados"Rejeitamos ser rebaixados deste jeito", disse o porta-voz da oposição, Ali al-Sarari à Associated Press. "Nossos apoiadores chegam aos milhões e não a milhares".Muhammad Qahtan, outro porta-voz da oposição, disse que bin Shamlan havia conquistado pelo menos 40 por cento."O comitê eleitoral procura executar uma ordem do palácio presidencial para dar ao presidente 80 por cento dos votos". Ele acrescentou que o protesto será pacífico. "Nossa meta é evitar um monopólio da presidência utilizando meios pacíficos e legais".A Missão de Observação Eleitoral, da União Européia, disse em um relatório que as eleições foram uma "competição aberta e genuína", mas notaram várias "deficiências" no processo.A UE relatou que dos 1.040 colégios eleitorais visitados durante a eleição, 19 por cento possuía quebra de sigilo e 13 por cento possuía casos de assistência ilegal a eleitores. Houve, claramente, eleitores abaixo da idade necessária votando em 7 por cento dos estabelecimentos, dizia o relatório.Os resultados da eleição são esperados para sábado, mas não está claro como um anúncio formal é possível em vistas das disputas.As eleições representam uma grande teste paras as promessas de Saleh de reformas democráticas, em meio a difusas queixas de corrupção e do fracasso para distribuir dinheiro do petróleo num lugar onde a renda per capita média é de US$600 por ano.Saleh governa desde 1978, primeiro como presidente do Iêmen do Norte e então como líder de um estado unificado depois da fusão, em 1990, do Sul e do Norte. Ele venceu as eleições em 1999 com 96.2 por cento dos votos, mas enfrentou somente um ex-membro de seu partido governante que se candidatou independentemente.Bin Shamlan dirigiu refinarias no Iêmen Sul durante os anos 70 e foi um executivo de uma companhia petrolífera saudita em Londres. Ele foi ministro da infra-estrutura e ministro do petróleo no governo do Iêmen Sul. Renunciou do parlamento em 1995 para protestar contra a corrupção no governo.

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