Oposição no Quênia diz que mortos já chegam a 250

Corpos e destroços se espalhavam pelasruas do Quênia na terça-feira, enquanto as potências ocidentaispressionavam o presidente Mwai Kibaki a investigar suacontestada reeleição, que desencadeou dias de tumultos que jádeixaram pelo menos 150 mortos. A oposição, porém, estima os mortos em cerca de 250. A explosão de violência no país que possui uma dasdemocracias mais estáveis e economias mais fortes da Áfricachocou o mundo e deixou os próprios quenianos em estado dechoque, enquanto rivalidades tribais de longa data levamcomunidades distintas a se enfrentarem. O importante jornal local The Daily Nation disse temer queo Quênia se encontre "à beira da dissolução total". A polícia saiu às ruas em peso no Dia do Ano Novo, e asituação foi de mais calma. Mas começaram a ser divulgadosdetalhes sobre o número crescente de mortos e a destruiçãogeneralizada que marcam um dos momentos mais sombrios do paísdesde sua independência da Grã-Bretanha, em 1963. Muitos integrantes da tribo Kikuyu, a maior e mais rica doQuênia e da qual faz parte o presidente, estavam assustados emlugar de estar comemorando a vitória eleitoral do domingo. Enquanto isso, partidários da oposição e membros da triboLuo ameaçavam com ações militantes. "Eles nos roubaram de nossa vitória e agora estão atirandoem nós. Como é possível que um homem (Kibaki) ludibrie a naçãointeira? Se uma guerra de guerrilha começar, estarei disposto aparticipar dela", disse o partidário da oposição Stanley Bwire,que é guarda noturno em Nairóbi. Pelo menos 12 pessoas morreram em um incêndio em uma igrejana região ocidental do país nesta terça-feira. "Não tive acessoa uma área da igreja, mas o total de mortos pode ser de cercade 25", disse à Reuters um repórter que visitou o local. Ele acrescentou que cerca de 200 pessoas procuravam refúgiona igreja, a 8 quilômetros da cidade de Eldoret, fugindo dosconfrontos tribais. A maioria das vítimas, segundo ele, eramkikuyus, que deixaram suas casas temendo por suas vidas. Num primeiro momento, Washington deu os parabéns a Kibaki,mas então mudou sua reação para expressar "preocupação com asirregularidades". Grã-Bretanha, União Européia e outros fizeram questão denão dar os parabéns a Kibaki, expressaram preocupação e pediramconversações de reconciliação, além de uma investigação paraapurar suspeitas irregularidades na eleição da quinta-feira. A missão de observação da UE, em sua avaliação formal dopleito, declarou: "As eleições gerais de 2007 não satisfizeramos padrões internacionais e regionais chave que regem aseleições democráticas." Diplomatas ocidentais se deslocaram entre representantesdas duas partes, tentando dar início a uma mediação. Um delesdisse à Reuters: "O governo pensa que poderá superar estasituação, bastando esperar para que as coisas se acalmem, masnão estamos convencidos disso".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.