House of Commons via AP
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Oposição no Reino Unido concorda com proposta por eleições antecipadas

Um dia após votarem contra proposta, pedido do premiê Boris Johnson foi acatado após União Europeia ter adiado Brexit pela terceira vez

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2019 | 13h56

LONDRES - O Partido Trabalhista do Reino Unido anunciou nesta terça-feira, 29, que concorda com a convocação de eleições legislativas antecipadas em dezembro, assim como deseja o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, para retirar o país da paralisia provocada pelo Brexit.

Depois que a União Europeia (UE) aprovou o terceiro adiamento da saída do Reino Unido do bloco, o primeiro-ministro conservador iniciou uma nova tentativa de levar os britânicos às urnas. Com as eleições, Johnson espera obter uma maioria absoluta que permita cumprir sua promessa de concretizar o Brexit, apoiado por 52% dos britânicos no referendo de 2016.

Os deputados devem se pronunciar durante a tarde sobre aquelas que seriam as segundas eleições antecipadas no país em dois anos, com o objetivo de retirar o Reino Unido de uma profunda crise política. Os trabalhistas, que até agora se mostravam relutantes, acabaram por aceitar a ideia.

"Nossa condição de descartar uma saída sem acordo está contemplada agora com o adiamento da data do Brexit aprovada pela União Europeia", declarou o líder trabalhista, Jeremy Corbyn. Ele prometeu organizar "a campanha eleitoral mais ambiciosa e radical para uma mudança verdadeira no país".

Na segunda-feira, no entanto, a Câmara dos Comuns rejeitou o texto do governo para convocar eleições em 12 de dezembro, uma medida que exigia maioria de dois terços.

Decidido a acabar com a "paralisia", o chefe de Governo organizou uma nova votação nesta terça-feira no Parlamento. Aproveitando as sutilezas do sistema eleitoral britânico, Johnson vai recorrer a um procedimento que exige apenas a maioria simples, mas que abre a porta para uma batalha de emendas sobre as modalidades das eleições. 

Além do procedimento, o que mudou em 24 horas foi o fato de a oposição ter recebido garantias de que o Brexit não acontecerá antes das eleições. A moção que os deputados rejeitaram na segunda-feira deu tempo ao Parlamento para votar, nos próximos dias, o acordo de saída da UE negociado por Boris Johnson com Bruxelas.

Pelas características do adiamento concedido por Bruxelas, o Reino Unido iria abandonar a UE de forma automática em 1º de dezembro, antes das legislativas, se os deputados ratificassem o pacto em novembro, algo impensável para os opositores do acordo.

Depois que os conservadores garantiram que o texto do divórcio não seria submetido a debate, vários partidos da oposição se declararam dispostos a apoiar a convocação de eleições antecipadas. 

A discórdia agora fica por conta da data das eleições. 

A data do Brexit, inicialmente prevista para 29 de março de 2019, foi adiada para 12 de abril e depois 31 de outubro.

O adiamento anunciado na segunda-feira prevê como data limite 31 de janeiro, mas abre a possibilidade para que o Reino Unido abandone o bloco em 30 de novembro ou 31 de dezembro, se um acordo de saída for ratificado, de acordo com um documento ao qual a AFP teve acesso. / AFP

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