Oposição oferece vaga de candidato a Henrique Capriles

Divisão interna faz com que bloco opositor liderado pelo governador de Miranda entre na disputa enfraquecido

CARACAS, O Estado de S.Paulo

10 de março de 2013 | 02h03

A Mesa da Unidade Democrática (MUD) convidou ontem Henrique Capriles para enfrentar o chavista Nicolás Maduro nas eleições presidenciais de 14 abril. O líder opositor, porém, apenas agradeceu o convite, sem confirmar se realmente se candidatará à presidência. Enquanto isso, divisões no bloco de oposição ampliam suas dificuldades para enfrentar o chavismo.

"Concordamos em oferecer a Henrique Capriles a candidatura presidencial", disse o secretário-geral da MUD, Ramón Aveledo.

As divergências na oposição ficaram mais claras na sexta-feira, quando parte de sua bancada na Assembleia Nacional desprezou a estratégia de boicote da MUD à sessão que deu posse a Maduro como presidente interino.

Minutos antes, quando Capriles encerrou uma entrevista na qual qualificou de "fraudulenta" a sentença do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) que permitirá a Maduro ser presidente interino e candidato presidencial ao mesmo tempo, o dirigente do partido democrata-cristão Copei, Pedro Paulo Fernández, entrou ao vivo na Globovisión para discordar publicamente de suas declarações.

"A decisão do TSJ não é a questão central", declarou. "Ela não afeta o resultado das eleições e não pode servir como pretexto para desmobilizar nossos militantes. Esse tipo de declaração (de Capriles) distrai a atenção do eleitor para outros fatores que não são decisivos." O apresentador da Globovisión Leopoldo Castillos chegou a questionar Fernández: "Então, o que disse Capriles não tem fundamento?". "Respeito Henrique como líder, mas não tenho de concordar em tudo com ele."

"Não voltaremos a abandonar os espaços de representação do povo", disse o Copei em um comunicado, referindo-se ao boicote que deu a totalidade das cadeiras da Assembleia Nacional para o chavismo, em 2005.

Há duas semanas, em reuniões de líderes dos vários partidos que integram a MUD, a candidatura de Capriles era posta em dúvida por membros da aliança. O secretário-geral da coalizão declarou que as discussões tinham de ser feitas com base não em um nome, mas em propostas para a campanha e para o governo.

"É preciso lembrar que a MUD é formada por agrupações de doutrinas e ideologias diferentes, que vão da esquerda à ultradireita, e agrupa rivais históricos como o Copei e a Ação Democrática, que durante décadas se alternaram no poder na Venezuela", afirmou ao Estado um diplomata estrangeiro que tem base em Caracas. "Essas facções têm um histórico de rivalidades profundas e posições muitas vezes irreconciliáveis. Nas últimas reuniões da MUD, as disputas giravam em torno até sobre os representantes de cada partido na equipe de campanha de Capriles", disse.

A MUD foi formada com o objetivo de derrotar a máquina eleitoral chavista. Seu melhor resultado ocorreu nas eleições parlamentares de 2011, quando - em número de votos populares - praticamente empatou com o Partido Socialista Unido da Venezuela. A distribuição proporcional das cadeiras, porém, permitiu ao PSUV conservar a bancada majoritária da Assembleia. / R.L.

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