Oposição pede ajuda estrangeira para derrubar Saddam

Os grupos de oposição iraquianos reunidos hoje em Londres pediram ajuda estrangeira para derrubar Saddam Hussein. Durante encontro, eles ressaltaram a importância da criação de um Estado democrático no país. "Nós temos todo o direito de pedir ajuda (estrangeira) e não devemos ter vergonha disso", disse o representante na reunião da União Patriótica do Curdistão, Jalal Talabani. Um representante do Congresso Nacional Iraquiano - um dos mais estabelecidos grupos de oposição -, Ahmed Chalabi, disse que os delegados pretendem divulgar pelo menos duas declarações até o fim do encontro. "A primeira será uma declaração política pedindo a queda da ditadura e o estabelecimento de uma democracia pluralista, parlamentar e federativa para todo o Iraque", disse. "A segunda deve defender a instalação de uma autoridade que fique pronta a preencher qualquer vácuo no território iraquiano como conseqüência de alguma ação futura", disse. No entanto, segundo correpondentes da BBC de Londres que acompanham o evento advertiram que esta aparente unidade dificilmente vai se sustentar quando chegar a hora de efetivamente se discutir um novo comando para o país. Há mais de 50 partidos - além de grupos étnicos e religiosos - representados no encontro que conta com o apoio dos Estados Unidos. Os americanos gostariam de ver a fragmentada oposição iraquiana unida, antes de um eventual ataque a Saddan Hussein. Mas as dificuldades em marcar uma data para a reunião devido a disputas entre facções já mostrou que a tarefa não é fácil. O líder de um dos grupos representados no conferência disse que os delegados vão olhar para o futuro, mas que ninguém deve esperar que se saia dali com o embrião de um novo governo montado. O comentarista de oriente médio da BBC, Pam O´Toole, disse que os diferentes grupos estão tentando discutir uma pauta comum, ?para que eles tenham a oportunidade de assumir um papel importante na administração iraquiana, se Saddan Hussein deixar o poder?. O porta-voz do Congresso Nacional Iraquiano (CNI), Sharif Ali Bin Hussein, disse que os delegados estão unidos em torno de um objetivo principal. "Queremos colocar claramente o que temos discutido já há vários meses. O que queremos é um Iraque democrático e livre, onde as pessoas possam escolher quem elas querem que as governe", disse. Mostrando a possibilidade de união entre as opsoições, os dois principais líderes curdos - rivais em suas comunidades - estão juntos na reunião de Londres. Jalal Talabani, diz que a grande diversidade de culturas e etnias no Iraque não impede a formação de um só país. "O Federalismo é praticado em 70 países do mundo e pode forjar a unidade iraquiana", disse. O representante do Conselho Supremo para a Revolução Islâmica no Iraque (Sciri), uma organização islâmica baseada no Irã, Abdelaziz Hakim, disse que o novo governo tem de preservar as riquezas do país - em especial o petróleo - da dominnação estrangeira. "O extremismo não terá lugar no futuro do Iraque", disse, no entanto, arrancando gritos de "Alá seja louvado" dos seus partidários.

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