Oposição pede nova eleição presidencial no Quênia

Partido diz que o país deve estar preparado para novo pleito após denúncias de fraude na reeleição de Kibaki

Agências internacionais,

04 de janeiro de 2008 | 09h11

O partido de oposição do Quênia pediu por uma nova eleição presidencial para encerrar a disputa e a onda de violência gerada pela reeleição contestada do presidente Mwai Kibaki.   Veja também: Entenda a crise no Quênia   Anyang Nyongo, secretário geral do Movimento Democrático Laranja (ODM), disse que o país deve estar preparado "para uma nova eleição para presidente". Com o pedido, a oposição parece pressionar ainda mais Kibaki, que se declarou eleito em 27 de dezembro e iniciou a tensão política no país. "Isto é sobre a democracia e a Justiça", acrescentou. "Nós devemos continuar a defender e promover o direito dos quenianos, para que o processo democrático seja cumprido".   O candidato da oposição, Raila Odinga, convocou um milhão de pessoas para uma nova manifestação na próxima terça-feira, já que a prevista para a quinta foi cancelada por causa do bloqueio policial. Porém, ela foi adiada para a sexta-feira depois que manifestantes foram reprimidos com bombas de gás lacrimogêneo e jatos d´água. Nairóbi, a capital do país, amanheceu calma nesta sexta, mas em Kibera, uma das grandes cidades do país, lojas permaneceram fechadas e pequenos grupos protestaram nas esquinas das ruas.   O secretário-assistente de Estado dos EUA, Jendayi Frazer, tem a chegada a Nairóbi prevista para a noite de sexta-feira, para se reunir com o presidente Mwai Kibaki e o líder da oposição, Raila Odinga, autor das denúncias de fraude no pleito de 27 de dezembro.   A oposição queniana afirma que Kibaki foi reeleito com 1 milhão de votos fraudulentos e observadores da União Européia duvidam da credibilidade da apuração oficial. Segundo a Comissão Eleitoral, Kibaki foi reeleito com 46,38% dos votos, enquanto o candidato do opositor Movimento Democrático Laranja (ODM), Raila Odinga, obteve 44,03%.   Novo protesto   A segurança foi reforçada em Nairóbi, capital do Quênia, nesta sexta-feira, para impedir novos protestos contra a reeleição do presidente Mwai Kibaki. Os partidos da oposição afirmam que pretendem levar adiante a manifestação, depois que a polícia dispersou o comício convocado na quinta-feira.   Mas segundo o correspondente da BBC Adam Mynott, que esteve em uma favela onde vivem, predominantemente, opositores do governo, o entusiasmo pelos protestos está diminuindo.   Na quinta-feira, o presidente Kibaki disse estar disposto a negociar com a oposição para tentar reverter a violência, mas apenas quando a calma voltar às ruas. "Eu estou pronto para dialogar com as partes envolvidas assim que a nação esteja calma e a temperatura política tenha diminuído o suficiente para permitir um compromisso construtivo e produtivo", disse o presidente, em seus primeiros comentários públicos sobre os problemas no país.   Também na quinta-feira, o procurador-geral do país, Amos Wako, pediu um inquérito independente sobre o resultado das eleições presidenciais. Falando na TV do país, Wako disse que "uma contagem apropriada dos votos válidos, retornados e confirmados deve ser realizada imediatamente".

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