Oposição pede ´opinião´ de militares e Evo denuncia golpe

Presidente não vê motivo para que forças armadas sejam convocadas, mas militares garantem que não permitirão a fragmentação da Bolívia e criação de novos Estados

Agencia Estado

21 Junho 2007 | 13h06

O presidente da Bolívia, Evo Morales, insinuou nesta terça-feira, 19, que o movimento cívico do oriente e sul do país tem como objetivo um "golpe de Estado" a seu recente chamado para que as forças armadas se pronunciem sobre uma proposta na Assembléia Constituinte, que poderia, na sua visão, desmembrar a Bolívia."Não entendo para que foram convocadas as forças armadas, para um golpe de Estado?," disse o mandatário à rádio Fides. Evo agregou que "seria o pior erro" do movimento cívico, apoiado por parte da oposição política, que tenta criar governos autônomos em quatro dos nove departamentos (estados) da Bolívia.O comandante das forças armadas, o general Wilfredo Vargas, disse à imprensa que a instituição "garante o governo legalmente constituído" e que "não se negocia a integridade nacional.""As forças armadas não permitirão o fracionamento do Estado, isso quer dizer uma divisão, uma separação do Estado. A divisão interna que pode ter um país, criar novos departamentos, novas províncias, se isso é decidido e aceito na Assembléia Constituinte, as forças armadas aceitarão," agregou.A principal força de oposição, o partido Podemos, e a chamada Junta de Autonomia - criada em dezembro do ano passado pelos dirigentes políticos de Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija - coincidiram em pedir às forças armadas que se pronunciem sobre o propósito do oficialismo de inscrever na Constituição, que deverá ser entregue pela Assembléia Constituinte em agosto, a criação de 36 territórios autônomos indígenas, com governo próprio.Projeto do MASEvo defende o projeto do governamental Movimento ao Socialismo (MAS), enquanto seus representantes na Assembléia tentam impedir que a oposição, canalizadora em larga medida das demandas do movimento de autonomia, apresente suas próprias propostas e assim evitar que sejam submetidas a um referendo.O MAS tenta criar os territórios indígenas autônomos, ao inserir na Constituição sua ideologia de que a Bolívia será um Estado "plurinacional" com 36 nações indígenas - algumas com menos de 50 habitantes -, que teriam direito soberano sobre 75% do território nacional e ao autogoverno.O deputado do Podemos, Antonio Franco, disse na terça-feira em nome desse agrupamento que "as forças armadas deveriam se pronunciar mais sobre a ameaça da qual é protagonista o MAS".Ele disse que "essa proposta é uma ameaça ao país", em linha com uma resolução emitida na segunda-feira pela Junta de Autonomia, na qual é "denunciada ao mundo" a pretensão do MAS e é pedido às forças armadas que evitem qualquer tentativa de secessão. O oficialismo adotou a mesma linha e afirmou ao Congresso que os pedidos da oposição são "chamados à sedição.""Convocar às forças armadas é convocar um enfrentamento," disse o chefe do bloco de deputados do MAS, Gustavo Torrico.A junta de Autonomia também convocou na segunda-feira a "resistência civil" aos supostos planos "totalitários" do governo, que buscaria com a autonomia dos indígenas inviabilizar a formação dos governos estaduais autônomos, aprovada em referendo nos quatro departamentos em julho de 2006.O presidente do Comitê Cívico de Santa Cruz, Branko Marinkovic, negou nesta terça-feira que a resolução da junta seja sediciosa, ao assinalar que não são ações contra a Constituição, nem ignoram as leis, apenas têm como meta a mobilização pacífica da população contra as medidas do governo do MAS, que segundo ele são contra a unidade nacional e a criação da autonomia para os departamentos.

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