Oposição pede que forças da Arábia Saudita deixem o Bahrein

Ao menos 20 pessoas já morreram nos protestos dos xiitas contra o rei Hamad bin Isa Al-Khalifa

Agência Estado

30 Março 2011 | 15h44

MANAMA - A oposição xiita do Bahrein exigiu nesta quarta-feira, 30, que as forças militares lideradas pela Arábia Saudita, que têm ajudado a conter os protestos, deixem o país imediatamente. A demanda ressalta o elemento sectário do movimento contrário ao governo no pequeno reino insular, onde a maioria xiita tem protestado por mais direitos e liberdades contra a dinastia sunita que governa o Bahrein há dois séculos.

 

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Cerca de 1.500 soldados da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos e outros países sunitas do Golfo Pérsico entraram no Bahrein duas semanas atrás a convite do rei bareinita. O rei também estabeleceu estado de emergência no país e reprimiu os manifestantes, matando pelo menos 20 pessoas.

 

 

Um importante líder opositor xiita, Ali Salman, disse que as tropas estrangeiras devem sair do país porque a oposição rejeita "qualquer intervenção militar para qualquer partido" no Bahrein. Salman também disse que o Irã não deveria interferir no país.

 

 

"Nós não queremos que o Bahrein se transforme numa zona de conflito entre a Arábia Saudita e o Irã", que condenou o envio de tropas, disse Salman durante uma coletiva de imprensa na capital, Manama. "É por isso que não concordamos com a intervenção saudita. Pedimos a imediata saída das tropas e rejeitamos a interferência iraniana".

 

As tropas do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) entraram no Bahrein pela passagem que liga o país à Arábia Saudita, com a desculpa de ajudar a manter a ordem no reino insular. Xiitas em todo o Oriente Médio protestaram contra a intervenção. Autoridades iranianas afirmaram que as tropas estavam no Bahrein para reforçar a opressão da monarquia sunita sobre a maioria xiita. O destino do reino é alvo de preocupação dos Estados Unidos, pois o país abriga uma base naval norte-americana.

Hoje, o governo do Bahrein deteve o mais importante blogueiro do país. Mahmoud al-Youssef tem criticado há anos o governo por conter a liberdade de expressão, disse Amira al-Hussaini, editora para Oriente Médio e Norte da África da rede internacional de blogueiros Global Voices Online. "Ele é o padrinho da comunidade blogueira do Bahrein", disse al-Hussaini a respeito de al-Youssef, de 50 anos, que escreve em inglês em seu blog. "Ele sempre pede tolerância e que os bareinitas se comportem como uma família".

 

O irmão de Al-Youssef, Jamal, disse que ele foi detido em sua casa em Duraz, local de forte presença oposicionista no noroeste da capital, Manama, às 3h da madrugada. "Eles tocaram a campainha e Mahmoud abriu a porta", disse o irmão do blogueiro. "Eles disseram que tinham um mandado de prisão e o levaram". Centenas de ativistas e líderes opositores foram detidos desde que o estado de emergência foi decretado, duas semanas atrás. As informações são da Associated Press.

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