Martin Alipaz/EFE
Martin Alipaz/EFE

Oposição pede que governo boliviano se aproxime de Cuba e China para combater coronavírus

Presidente da Câmara dos Deputados, Sergio Choque, afirmou que experiência dos dois países é fundamental para a Bolívia

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2020 | 19h13

LA PAZ - O presidente da Câmara dos Deputados da Bolívia, Sergio Choque, que pertence ao partido de Evo Morales, pediu nesta segunda-feira, 16, ao governo interino do país que busque uma aproximação com Cuba e China e aprenda com suas experiências no combate ao coronavírus.

"São dois países que conseguiram combater o coronavírus. A China anunciará que não tem mais essa epidemia e a experiência que adquiriram hoje em dia é fundamental para nós", afirmou Choque, citado em comunicado da Câmara Baixa da Bolívia.

Ele também anunciou que a câmara presidida adotará medidas "para que o governo cubano possa enviar os medicamentos que possibilitam retardar" o avanço da doença.

Alguns dias atrás, Evo Morales lamentou no Twitter que os médicos cubanos que trabalharam na Bolívia durante seu governo "foram expulsos do país" e consideraram que "eles poderiam ter prestado um serviço muito valioso no momento".

Relacionamento com Cuba

As relações do governo de transição da Bolívia com a de Cuba são tensas desde que o executivo interino deu uma virada radical na política externa em relação ao estágio de Morales, para se afastar dos aliados políticos do ex-presidente, como Havana.

Em novembro passado, em meio a uma crise pós-eleitoral, o executivo interino boliviano apresentou uma queixa a Cuba sobre o suposto envolvimento de médicos cubanos em protestos sociais na Bolívia, após o qual foram retirados mais de 700 trabalhadores da saúde que estavam no país sul-americano.

Dois meses depois, o governo de Jeanine Áñez suspendeu as relações diplomáticas com Cuba, argumentando "hostilidade permanente e queixas constantes" por suas autoridades contra o governo de transição boliviano.

A situação de Covid na Bolívia

A Bolívia registra onze casos de COVID-19, quatro deles "importados" e sete por transmissão local, informou o ministro interino da Saúde, Aníbal Cruz, na segunda-feira.

Segundo a autoridade, os dois primeiros pacientes que deram positivo na Bolívia, uma mulher de 60 anos e uma mulher de 64 anos que estavam anteriormente na Itália, são estáveis ​​e devem receber alta nesta semana, após cumprir o isolamento correspondente.

Áñez decretou na semana passada a emergência nacional para facilitar a mobilização de recursos para combater o coronavírus e ordenou medidas como a suspensão de aulas em todos os níveis educacionais até 31 de março, além de cancelar vôos para a Europa a partir de sábado.

Neste domingo, o presidente interino anunciou novas medidas que incluem o fechamento de locais de entretenimento, o horário contínuo em instituições públicas e privadas e a proibição, a partir desta quarta-feira, da entrada no país de estrangeiros do espaço europeu Schengen, Irlanda, Reino Unido e Irã. /EFE

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