REUTERS/Marco Bello
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Oposição pede que possível acordo com chavistas seja votado em referendo

Segunda sessão de reuniões de negociação com o governo da Venezuela ocorreu em Santo Domingo, na República Dominicana

O Estado de S.Paulo

15 Setembro 2017 | 11h58

SANTO DOMINGO  - A Mesa da Unidade Democrática (MUD), principal coalizão de oposição da Venezuela, apresentou na madrugada desta sexta-feira, 15, a necessidade de submeter a um referendo os acordos que surgirem da nova tentativa de negociação com o governo do presidente do país, Nicolás Maduro.

"Delineamos a necessidade de submeter a um referendo popular aprovativo qualquer acordo que surgir do eventual processo de negociação", disse a MUD em comunicado divulgado hoje, após a segunda sessão de reuniões de negociação com o governo da Venezuela, realizada em Santo Domingo, capital da República Dominicana.

Na nota, a MUD reitera que exigiu algumas condições para retomar um processo formal de negociação política, depois da tentativa fracassada do ano passado. Oposição e governo trocam acusações sobre o descumprimentos dos acordos firmados no primeiro diálogo.

"Nosso objetivo fundamental é salvar a Venezuela e, para isso, é indispensável a substituição constitucional do regime de Nicolás Maduro. Só através de uma mudança democrática e não violenta será possível superar a atual tragédia social e econômica que castiga todos os venezuelanos", afirmou a coalizão de oposição.

As condições reveladas pela MUD incluem, segundo o comunicado, a participação nas negociações de países que sejam fiadores, de instituições multilaterais e de testemunhas na negociação. A oposição também quer um cronograma de implementação dos acordos com garantias, que tenha acompanhamento internacional.

O presidente da República Dominicana, Danilo Medina, anunciou hoje a criação de uma comissão que acompanhará as negociações e que será integrada por México, Chile, Bolívia, Nicarágua e outros dois países, ainda não definidos.

A MUD afirmou na nota que a comunidade internacional exige uma "negociação séria" e que a "forte pressão diplomática sobre o governo" fez com que Maduro retomasse o caminho democrático. Os opositores também fizeram uma lista de "pontos indispensáveis" que devem fazer parte de qualquer negociação e um eventual acordo.

Entre eles estão a renovação do Poder Eleitoral, o estabelecimento de um cronograma de eleições, sem candidatos inabilitados e com datas marcadas. Os opositores também querem um pleito presidencial com qualificada observação internacional.

Além disso, a MUD pede atenção à emergência humanitária vivida pelo país e exige a libertação dos considerados presos políticos, o retorno dos exilados e o fim da perseguição política. / EFE

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