Pedro Armestre/AFP
Pedro Armestre/AFP

Oposição pede renúncia de Zapatero

Cúpula do Partido Popular quer antecipação das eleições parlamentares

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / GENEBRA

Grande vencedor na votação de domingo na Espanha, o Partido Popular, de centro-direita, pediu ontem a convocação de eleições gerais imediatas e a renúncia do governo de José Luis Rodríguez Zapatero. O Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), no poder desde 2004, foi severamente punido nas eleições locais por cidadãos insatisfeitos por causa da crise, do desemprego e dos cortes nos gastos sociais. A derrota foi a pior sofrida em 30 anos di democracia na Espanha.

Na cúpula do PP, a mensagem das urnas é a de que a Espanha quer uma mudança e não esperará até março de 2012, quando ocorrerão as eleições legislativas. "Este governo não está em condições de administrar um país. O que vem pela frente não é fácil. Temos a convicção de que não é possível recuperar a confiança com este governo", afirmou Mariano Rajoy, líder do PP e provável candidato ao posto de chefe do governo.

O líder da oposição alertou que Zapatero não teria mais condições de acalmar os mercados. "Dissemos a Zapatero que isso era o melhor para o interesse geral dos espanhóis", afirmou.

"A Espanha não pode aguentar assim mais um ano", disse Dolores de Cospedal, secretária-geral do PP, que no fim de semana foi eleita em Castela-La Mancha. Para a dirigente do PP, Soraya Saenz, a vitória de seu partido no domingo "demonstra que as ruas querem uma mudança de governo o quanto antes".

Por enquanto, o PP não usará sua moção de censura no Parlamento e esperará que a decisão de convocar as eleições venha do governo. Mas, na prática, o PP controlará quase todo o gasto social do país ao vencer em 13 das 18 regiões do país.

Ontem, o PSOE anunciou que iniciará o processo para as primárias internas e reconheceu que, até agora, ninguém se ofereceu para disputar as eleições. Mas o partido garante que isso não significa que antecipará as eleições.

Inicialmente, Zapatero não participaria da corrida eleitoral e deixaria a disputa entre seu vice, Alfredo Pérez Rubalcaba, e a ministra de Defesa, Carmen Chacón. Mas, diante da derrota de domingo, ambos hesitam em se candidatar.

Zapatero garantiu no domingo que ficará até março de 2012 no cargo e concluirá as reformas iniciadas. Mas nem todos no partido estão de acordo. Para o presidente da região de Extremadura, Guillermo Vara, o único socialista que se manteve no poder, o PSOE precisa admitir que não aguentará até 2012. Vara afirmou ontem que, se estivesse no lugar de Zapatero, anteciparia as eleições. O único consenso no PSOE é que a crise econômica foi a explicação para a derrota. "O desemprego passou fatura", afirmou o vice-secretário-geral dos socialistas, José Blanco.

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