Oposição pede suspensão de ordem de Chávez para controle de portos

Medida anunciada por presidente venezuelano pode afetar economia regional e infraestrutura de governos locais

Renata Miranda, O Estadao de S.Paulo

17 de março de 2009 | 00h00

Os governadores e prefeitos de oposição na Venezuela pediram ontem ao Tribunal Supremo de Justiça que suspenda a ordem do presidente Hugo Chávez para que o Exército tome o controle dos três principais portos venezuelanos administrados por opositores. "Ninguém compreende o motivo da aplicação de força", disse o governador de Carabobo, Henrique Salas Feo, ao apresentar-se no tribunal para pedir a suspensão da tomada do Porto Cabello.O governador do Estado de Zulia, Pablo Pérez, também desafiou a ameaça de prisão feita por Chávez contra os governadores que não aceitassem a intervenção. "Não temos medo, podem ter tanques e fragatas, mas nós temos a união do povo", disse Pérez ao defender o controle regional sobre o Porto de Maracaibo, principal porta de saída para o petróleo produzido no país.Chávez anunciou no domingo a centralização do controle dos portos de Maracaibo, Cabello e Porlamar. O presidente ordenou que o Exército tomasse os terminais depois da aprovação de uma norma legislativa que reverteu parcialmente a Lei de Descentralização.Além de permitir o controle de portos, aeroportos e estradas, a legislação autoriza a intervenção nos bens e prestação de serviços públicos - o que afetaria as finanças regionais.EFEITOS ECONÔMICOSO Porto Cabello, no Estado de Carabobo, é o de maior movimentação econômica da Venezuela. Por ele entram 80% da matéria-prima para a indústria e quase todos os alimentos importados pelo país. Em 2007, o porto arrecadou cerca de US$ 35 milhões em impostos, segundo dados oficiais. Ontem, a Guarda Nacional já havia tomado os acessos ao porto, mas os trabalhos no local seguiam normalmente. O Porto de Maracaibo é o mais moderno do país e o Porto de Porlamar, no Estado de Nova Esparta, é a principal porta de entrada para os turistas que vão à Ilha Margarita."A economia de Zulia será seriamente afetada com a medida porque a renda do Estado vem, em sua maior parte, da exportação do petróleo", afirmou ao Estado Omar Noria, analista da Universidade Simón Bolívar. Segundo ele, a infraestrutura dos Estados onde estão localizados os portos sofrerá com a medida. "A renda para a manutenção dos setores de saúde, segurança e empregos diminuirá." O articulista do jornal El Nacional Fausto Masó acredita que os efeitos da decisão de Chávez dependerão da reação dos opositores: "A oposição precisa se unir e deixar de ter medo do presidente."

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