Oposição pede voto contra Carta egípcia

Referendo sobre nova Constituição já começou para egípcios que moram fora e vai até dia 22

CAIRO, O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2012 | 02h05

O principal grupo de oposição no Egito defendeu ontem o voto "não" no referendo sobre a polêmica nova Constituição do país, em vez de um boicote. A votação começou ontem para egípcios que moram fora do país, por determinação do presidente Mohamed Morsi, que há semanas enfrenta protestos por aumentar seus poderes e apoiar a conclusão às pressas da Carta.

A decisão da Frente de Salvação Nacional (FSN) tem como objetivo manter a mobilização contra o governo de Morsi. Nos últimos dias, protestos violentos contra o presidente e seu grupo político, a Irmandade Muçulmana, tomaram as ruas.

Novas manifestações estão marcadas para os próximos dias em todo o país e os juízes egípcios estão em greve desde que Morsi colocou-se acima de escrutínio do Judiciário.

A FSN prometeu recorrer ao boicote caso a votação não seja supervisionada pelo Judiciário e os colégios eleitorais não tenham um esquema de segurança garantido.

"A frente decidiu exortar o povo a ir às urnas e rejeitar a Constituição, votando não", disse Hamdeen Sabahi, um dos líderes do grupo, que foi derrotado por Morsi nas eleições de junho. "O povo terá a chance de derrubar essa Constituição dizendo não nas urnas."

O Painel Constitucional responsável por elaborar a Carta, controlado por partidos islâmicos, espera que as novas leis restaurem a estabilidade política do país e as instituições de Estado.

A oposição, especialmente laicos e cristãos coptas, acusam os islamistas de incluir cláusulas "obscuras" na Carta, que subordinam liberdades civis à interpretação da lei islâmica. Apesar disso, a Constituição contém novos artigos que proíbem os abusos cometidos durante o regime de Hosni Mubarak, deposto no ano passado.

O referendo estava marcado para começar no dia 15, mas em um decreto de última hora emitido por Morsi, na terça-feira, determinou uma nova rodada de votação no dia 22.

Como o referendo precisa ser supervisionado pela Justiça, a greve dos juízes pode colocar em xeque a legitimidade do processo. / AP e REUTERS

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