Oposição prepara a quarta greve geral contra Chávez

Sob um forte esquema de segurança, os venezuelanos, convocados pela Fedecámaras (maior associação de empresários do país) e a Central de Trabalhadores Venezuelanos (CTV), iniciam nesta segunda-feira mais uma greve geral de protesto contra o presidente venezuelano, Hugo Chávez. Os grevistas exigem a renúncia do presidente, atribuindo a ele o agravamento das crises social e econômica que atingem a Venezuela. "A associação de empresários que lidera esse protesto é corrupta", disse Chávez, procurando reduzir a importância do movimento - a quarta greve geral que ele enfrenta desde 10 de dezembro de 2001. "Essa mesma gente é responsável pela quartelada de abril, quando me seqüestraram e confinaram numa ilha, de onde saí respaldado pelo povo e pelos militares", afirmou o presidente venezuelano. "Não conseguiram em abril e não vão conseguir agora - nem que decretem mais 20 (greves)". Por precaução, ele advertiu os organizadores do movimento, apontando para o reforço das medidas de segurança que envolvem a mobilização de milhares de policiais e soldados. "Desta vez, estaremos preparados", afirmou. O presidente lembrou que depois do fracassado golpe de Estado de abril, chamou seus opositores para o diálogo, mas eles se negaram, "insistindo em seu afã golpista e desestabilizador". A greve é apoiada também por partidos políticos e associações civis contrárias ao governo que integram a chamada Coordenadora Democrática. Os organizadores esperam parar fábricas, escritórios, transportes coletivos e serviços públicos não essenciais como os da área de saúde pública. O vice-presidente venezuelano, José Vicente Rangel, acusou a oposição de frustrar os esforços do secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), César Gaviria, em favor de uma conciliação nacional. "Eles abandonaram a mesa do diálogo", disse Rangel, referindo-se aos adversários do governo. A Coordenadoria Democrática reagiu contestou a versão do vice-presidente, acusando o governo de tentar criar uma crise no processo de diálogo, retardando debates e conseqüentes decisões. "A mesa em questão simplesmente não foi instalada", disse o secretário-geral da Coordenadoria, Timoteo Zambrano. "A greve não é negociável. A finalidade do encontro é debater uma saída eleitoral". Segundo ele, "a oposição continuará na mesa." O governo tem-se negado a aceitar a antecipação das eleições, apesar da convocação, seguida do cancelamento, por parte das autoridades eleitorais, de um referendo em fevereiro sobre a permanência de Chávez no poder.

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