Oposição pressiona Chávez com greve geral na Venezuela

Sob a vigilância de cerca de 5.000 policiais e militares, a oposição realiza nesta segunda-feira a terceira greve geral em 10 meses para pressionar o presidente Hugo Chávez a convocar eleições antecipadas neste ano e a renunciar, como saída para a séria crise que o país enfrenta desde o fracassado golpe de abril. O secretário da Confederação de Trabalhadores da Venezuela (CTV), Manuel Cova, qualificou como "vitoriosa" a jornada de protesto, e declarou à emissora Unión Radio que cerca de 80% da população participou da greve de 12 horas. O dirigente da organização civil Queremos Votar, Elías Santana, afirmou que "esta greve é um desafio a Chávez. Vamos ver se o presidente Chávez aceita o desafio". Acrescentou que uma participação de 80% deveria servir de "advertência" ao mundo e à Organização dos Estados Americanos (OEA) para que "nos ajudem a solucionar a crise de governabilidade com o estabelecimento de uma data, e um prazo para a antecipação das eleições na Venezuela". No entanto, o vice-presidente José Vicente Rangel afirmou que "a greve não funcionou. Em sua grande maioria, o país funcionou". Acrescentou que houve uma participação de 10% e que a greve foi "mediática", já que teve uma cobertura exaltada por parte dos meios de comunicação. Recomendou à oposição que não continue ?se lançando em uma piscina sem água", e que não continue somando "derrotas". Além disso, descartou que o governo pretenda convocar eleições antecipadas este ano, e indicou que a Constituição prevê que só se pode convocar um referendo para revogar um mandato quando for cumprida a metade do tempo do mandato presidencial de 6 anos - o que, no caso de Chávez, ocorrerá em agosto de 2003. A ministra do Trabalho, María Cristina Iglesias, indicou que os setores petroleiro, metalúrgico e elétrico, responsáveis pela geração de 81% do PIB do país, estão funcionando "normalmente". O representante dos trabalhadores de nível alto e médio da estatal Petróleos de Venezuela S. A. (PdVSA), Edgar Quijano, disse que cerca de 80% dos empregados das áreas administrativa e operacional da corporação se solidarizaram com o protesto. A PdVSA garantiu nesta segunda-feira, em um comunicado, o fornecimento de petróleo a todo o país e no exterior.O ministro da Produção e do Comércio, Ramón Rosales, declarou à televisão oficial que protestos deste tipo causam ao Estado perdas da ordem de US$ 300 milhões diários. O presidente da organização empresarial Fedecámaras, Carlos Fernández, pediu a Chávez e ao Congresso que "escutem o povo", e consigam um "entendimento... que permita irmos a uma consulta popular, e possamos baixar as pressões que estão dentro da maioria da sociedade".Fernández indicou que a partir de terça-feira a oposição intensificará a coleta de assinaturas para conseguir a imediata convocação de um referendo. Segundo os organizadores, a greve geral conta com o apoio dos trabalhadores dos setores da saúde, educação, bancos, comércio, marinha mercante e construção, que somam mais de 500.000 pessoas. Cerca de um milhão de casas comerciais, 3.000 indústrias e os principais jornais do país também manifestaram seu apoio ao protesto convocado pela CTV e a Fedecámaras.Os crescentes confrontos internos debilitaram as gestões da OEA, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e do Centro Carter para obter uma aproximação entre as partes e uma saída pacífica para a difícil situação venezuelana. A crise do país foi agravada pela severa recessão econômica, os problemas financeiros do governo, a aceleração da inflação, a fuga maciça de capitais e uma desvalorização da moeda do país em mais de 90%.

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