AP Photo/Ariana Cubillos
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Oposição pressiona CNE e convoca marcha por referendo contra Maduro

Líderes da coalizão venezuelana contrária ao chavismo exigem que órgão máximo eleitoral indique logo os pontos para confirmação das assinaturas coletadas entre cidadãos para convocar votação

O Estado de S.Paulo

10 Maio 2016 | 04h32

CARACAS - A oposição venezuelana cobrou na segunda-feira, 10, do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) a divulgação dos locais onde os eleitores poderão confirmar, pela captura de impressões digitais, a assinatura do pedido de referendo revogatório contra o presidente Nicolás Maduro. A Mesa da Unidade Democrática (MUD), principal coalizão antichavista, convocou para amanhã marchas em todo o país para pressionar o CNE.

Em sua conta no Twitter, o líder opositor Henrique Capriles disse esperar que a presidente do CNE, Tibisay Lucena, respeite as regras do referendo revogatório. "Hoje (ontem) esperamos que cumpram as normas e digam onde validaremos nossas assinaturas #TibisayResponde", escreveu.

Mais tarde, Capriles - que é governador do Estado de Miranda e foi candidato à presidência derrotado por Hugo Chávez, em 2012, e Nicolás Maduro, em 2013 - disse ter informações de que o CNE não cumpriria o prazo e, junto com outros políticos da oposição, como o presidente da Assembleia Nacional, Henry Ramos Allup, e o deputado Julio Borges convocou manifestações nacionais para amanhã.

"Nós cumprimos o regulamento. O CNE tem de anunciar os lugares para validarmos as manifestações de vontade, ou seja, o lugar onde vamos realizar (a coleta de impressões digitais). No entanto, temos informações de que eles não farão isso hoje (ontem)", afirmou Capriles. "Já se passaram os cinco dias (desde a entrega das assinaturas) e, desde o fim de semana, deveriam ter anunciado os detalhes da validação."

No dia 2, a MUD entregou 80 caixas ao organismo eleitoral com milhares de planilhas nas quais disse ter registrado as assinaturas de 1,85 milhão de venezuelanos que desejam decidir o destino de Maduro nas urnas.

Ontem, o prefeito de Sucre, Carlos Ocariz, afirmou que o processo de verificação das assinaturas foi concluído às 11h36 pelo CNE, que constatou a entrega de "1.786.000 assinaturas completas em 178,6 mil planilhas". Ocariz afirmou ainda que outras 21.620 planilhas foram descartadas por não conterem todas as 10 assinaturas exigidas pelo órgão eleitoral

Os líderes da MUD acusam quatro dos cinco reitores do CNE de favorecerem Maduro e dilatarem os prazos nas diferentes etapas previstas para a convocação do referendo revogatório. Se a consulta for realizada ainda este ano e o "não" a Maduro vencer, o CNE deverá convocar novas eleições presidenciais em até 30 dias. Se a votação ocorrer a partir de 2017 e Maduro perder, ele será substituído até 2019 por seu vice-presidente, Aristóbulo Istúriz.

"Se o referendo revogatório não acontecer este ano, ele não tem sentido. Não nos interessa um mesmo governo. Ou é este ano, ou não há revogatório", afirmou recentemente Capriles.

Pressão. As marchas da MUD a favor do referendo foram inicialmente convocadas para o dia 27 de abril, mas a oposição suspendeu a mobilização na véspera depois de o CNE entregar o modelo de planilha com o formato em que as assinaturas a favor do processo deveriam ser recolhidas para dar início ao trâmite da consulta popular.

Agora, os opositores voltam a usar a pressão popular para que o CNE dê andamento ao referendo. "Todos, na próxima quarta, às 9 horas, em frente à Estação Bello Monte (vamos sair) em marcha até o CNE para exigir que cumpram os prazos do RR (referendo revogatório)", escreveu Ramos Allup, ao instar os caraquenhos ao movimento da oposição.

A promessa da MUD, no entanto, é de que haja manifestação em todas as cidades onde o CNE tenha escritório ou representação. Em resposta à convocação da oposição, os chavistas acusaram os dirigentes da MUD de quererem causar caos e mortes no país. "Nesta quarta, Ramos Allup tentará levar a violência a Caracas, ameaçando o CNE se não ceder a seus caprichos", escreveu em sua conta no Twitter o membro da direção nacional do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), Freddy Bernal.

"Se (Ramos Allup) acredita que chegarão ao CNE com violência, ele se esqueceu de que (na Venezuela) há um povo revolucionário, que estará esperando por eles", afirmou Bernal, que também faz parte da minoria chavista na Assembleia Nacional. "(A oposição) tem planos de causar violência, caos e mortes." / EFE

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