Oposição pressiona Morsi e islamitas pedem vingança

Milhares de manifestantes marcharam nesta sexta-feira até as imediações do palácio presidencial do Egito, protegido por tanques, soldados, veículos blindados e cercas de arame farpado. Os manifestantes pedem que o presidente Mohammed Morsi retire um decreto que emitiu em 22 de novembro e lhe deu superpoderes, ficando acima do judiciário. Muitos, contudo, pediram a queda de Morsi. Manifestantes chegaram a cruzar a barreira e tentavam invadir o palácio. A polícia precisou conter os mais exaltados.

AE, Agência Estado

07 de dezembro de 2012 | 15h57

"O povo quer a queda do regime", gritou a multidão, observada pelos soldados. Os confrontos entre seculares e islamitas que marcaram os protestos no Cairo e em Alexandria nos últimos dias deixaram pelo menos sete mortos e 644 feridos. Morsi discursou na noite de quinta-feira e propôs um diálogo com a oposição no sábado, além de defender a realização de um referendo sobre a Constituição no dia 15 de dezembro.

Ja os islamitas realizaram a própria manifestação de apoio ao governo durante o sepultamento dos corpos de dois partidários da Irmandade Muçulmana, abatidos em confrontos com os seculares na quarta-feira. A procissão fúnebre, que partiu da mesquita de Al-Azhar, reuniu milhares de islamitas, que prometeram vingança pelas mortes. "O Egito é islâmico, o Egito nunca será secular", gritaram os partidários da Irmandade, chamando os líderes opositores seculares de "assassinos" e "traidores".

A coalizão opositora rejeitou nesta sexta-feira o diálogo proposto pelo presidente egípcio. A Frente de Salvação Nacional disse que decidiu "recusar a participação no diálogo proposto pelo presidente, amanhã, sábado".

Os manifestantes exigem que Morsi anule o decreto que dá a ele poderes quase absolutos e que ele não coloque em referendo um projeto de Constituição favorável aos preceitos islamitas no dia 15 de dezembro. Os grupos opositores organizaram marchas até o palácio presidencial. Os militares intervieram pela primeira vez na quinta-feira, quando instalaram tanques ao redor do palácio e colocaram arame farpado ao redor do complexo.

As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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