Oposição promete intensificar protestos no Bahrein

Os protestos no Bahrein continuam hoje com milhares de pessoas ocupando uma área na capital do país, Manama. Outros milhares de manifestantes marcharam para lembrar o segundo homem morto durante confrontos com as forças de segurança. Um comitê estabelecido por sete grupos de oposição para coordenar os protestos convocou uma grande manifestação para o sábado, prevendo a participação de pelo menos 50 mil pessoas.

AE, Agência Estado

16 de fevereiro de 2011 | 10h56

Hoje, milhares de pessoas foram até o necrotério de um hospital, onde estava o corpo de um homem morto ontem. Elas acompanharam o caixão, realizando protestos. As forças de segurança não foram até as áreas das manifestações. A Praça Pérola, área central para o tráfego no distrito financeiro da capital, estava tomada pelos manifestantes, muitos dos quais passaram a noite ali, em tendas.

O rei do Bahrein, Hamad bin Isa Al Khalifa, em um raro discurso na TV, ofereceu suas condolências ontem às vítimas. Ele prometeu que serão investigadas as mortes e a resposta das forças de segurança aos protestos. Também prometeu realizar reformas, como reduzir o controle da mídia e pagar benefícios extras prometidos para a população.

O comitê da oposição inclui grupos sunitas e xiitas. Ontem, o movimento oposicionista Al-Wafaq suspendeu sua participação no Parlamento, onde detém 18 das 40 cadeiras, em solidariedade aos manifestantes.

Os protestos e confrontos que começaram no domingo transformaram o Bahrein no mais recente alvo das rebeliões árabes, que já depuseram regimes na Tunísia e no Egito. Também podem representar um dilema para o governo dos Estados Unidos, do presidente Barack Obama, que trabalha para seguir os eventos sem prejudicar os interesses norte-americanos.

O Bahrein é uma pequena nação do Golfo Pérsico. Ainda que o próprio país explore pouco petróleo, seus vizinhos são alguns dos maiores produtores de petróleo no mundo. Sua posição fez do país um aliado de longa data dos EUA. A Quinta Frota dos EUA está sediada no Bahrein.

Prisões

Policiais acusados pela morte de dois xiitas no Bahrein foram presos em meio a uma investigação, afirmou o ministro de Interior. "Aqueles por trás dos dois casos de morte foram detidos e nós começamos as investigações preliminares", afirmou ontem na televisão o ministro de Interior, xeque Rashed bin Abdullah al-Khalifa. Ele pediu desculpas pelas mortes de dois manifestantes em confrontos com policiais na segunda-feira e ontem, dizendo que a polícia deve demonstrar comedimento. Não foi informado o número de presos.

"Nós lamentamos que os recentes eventos tenham causado mortes e nos desculpamos à nação, especialmente às famílias daqueles que morreram ou ficaram feridos", disse o ministro. "Nos últimos anos, eu sempre insisti que o pessoal de segurança deve mostrar comedimento para evitar tais eventos lamentáveis, e temos tido sucesso em fazer isso."

O rei Hamad prometeu realizar mais reformas - iniciadas com um referendo em 2001 que restaurou o Parlamento - a partir de 2002. O Legislativo estava fechado desde 1975. Nos anos 1990, o Estado árabe teve uma onda de protestos liderada pelos xiitas. As manifestações, porém, perderam força desde as reformas de 2001.

Ontem, milhares de pessoas se reuniram na Praça Pérola, após o funeral de um dos dois homens mortos. O protesto pela democracia foi convocado por ativistas pela internet. Inspiradas pelos levantes na Tunísia e no Egito, que levaram à queda de seus líderes apoiados pelo Ocidente, algumas pessoas no Bahrein dizem querer o fim da monarquia. O país do Golfo Pérsico, de maioria xiita, é comandado por uma dinastia sunita. As informações são da Dow Jones.

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