Oposição protesta contra as eleições em Bangladesh

A oposição de Bangladesh saiu nesta terça-feira às ruas, no terceiro dia de protestos contra as eleições que serão realizadas no dia 22, após o fracasso das consultas de última hora promovidas pelo presidente bengalês, Iajuddin Ahmed, para buscar uma solução à crise.A capital Daca amanheceu nesta terça-feira em protesto pelo terceiro dia seguido, por causa dos bloqueios organizados pelos partidos opositores, que paralisaram as principais vias de comunicação do país a fim de forçar o governo a adiar as eleições.Centenas de civis travaram batalha contra a polícia, atirando pedras, tojolos e bombas caseiras. Para conter o protesto, policiais usaram balas de borracha e tentaram expulsar as pessoas da região do palácio presidencial. Mais de 20 pessoas ficaram feridas no confronto desta terça-feira, incluindo policiais e protestantes, segundo informações da televisão local Channel-IAs eleições em BangladeshA aliança de 14 partidos integrados na Liga Awami, principal organizadora das mobilizações, e outras formações opositoras anunciaram que não disputarão as eleições porque, segundo elas, estas não serão livres nem limpas e, portanto, seu resultado não será crível.Apesar dos bloqueios, que devem terminar hoje, "tudo indica que as eleições serão realizadas no dia 22 sem a participação da Liga Awami", disse hoje o chefe da seção política da delegação da Comissão Européia (CE, órgão executivo da União Européia) em Daca, Charles Whiteley.A União Européia (UE), que expressou preocupação com a crise em Bangladesh, considera que o cenário atual "não é o ideal" para eleições democráticas, por isso, "o mais provável" é que a missão enviada ao país para observar o pleito seja suspensa, disse Whiteley.Também disse que, por enquanto, os representantes da UE mantêm conversas "com todas as partes", mas mostrou-se pessimista sobre a possibilidade de acordo entre o Governo provisório e a oposição.A tensão só aumentou nos últimos dias, depois que cerca de 350 pessoas ficaram feridas no domingo e na segunda-feira em confrontos com a Polícia ou com simpatizantes do Partido Nacionalista de Bangladesh (BNP), anteriormente no poder, informa hoje a edição digital do jornal "The Daily Star".Segundo o jornal, a polícia obrigou homens e mulheres a sair dos edifícios nas áreas das manifestações e "os agrediu indiscriminadamente", apesar de muitas das vítimas afirmar que não tinham nada a ver com os protestos.Embora as mobilizações tenham sido apoiadas por milhares de pessoas e grande parte do quadro político bengalês, o governo não parece ter intenção de alterar a data das eleições nem de revisar o censo eleitoral, como reivindica a Liga Awami.O presidente bengalês parece ter excluído qualquer possibilidade de negociação com os partidos da oposição e mantém-se firme na intenção de realizar as eleições no dia 22, afirma o "Daily Star".Segundo o jornal, os principais líderes do BNP compartilham da postura de Ahmed, afirmando que não há outra opção caso se queira respeitar a Constituição, que estabelece que é preciso organizar eleições em um prazo de 90 dias a partir da última legislatura.O governo anterior, liderado por Khaleda Zia, a "número um" do BNP, terminou seu mandato no final de outubro, e depois foi formado um Executivo "neutro" responsável por organizar eleições em condições de igualdade para todos os partidos.Mas as diferenças entre o BNP e a Liga Awami impediram chegar a um consenso sobre quem deveria integrar este governo neutro, o que levou o próprio Ahmed a assumir a chefia do Executivo, o que levantou fortes críticas da oposição.Liderada pela Liga Awami, a oposição acusa o Governo de não ser neutro, mas favorável ao BNP, e exige uma revisão do censo eleitoral e uma nova data para o pleito.O BNP afirma que esta atitude é apenas um pretexto da oposição para evitar uma derrota nas eleições do dia 22.Na segunda-feira, o presidente bengalês descartou pedir ao Tribunal Supremo que estude um possível adiamento das eleições, como foi proposto por alguns setores políticos.Enquanto isso, a Comissão Eleitoral concedeu ao Exército os poderes adicionais que este pedia para prender qualquer pessoa que possa alterar a ordem no dia da votação.Ahmed tinha pedido às Forças Armadas que garantissem a realização das eleições apesar do boicote da oposição.

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