Oposição protesta contra intervenção na polícia de Caracas

A Guarda Nacional expulsou hoje de uma praça no centro de Caracas com bombas de gás lacrimogêneo centenas de manifestantes opositores que haviam participado de uma gigantesca marcha em protesto contra a intervenção militar da Polícia Metropolitana, decretada pelo governo do presidente Hugo Chávez no fim de semana.A marcha organizada pelos prefeitos de oposição já estava virtualmente concluída, com a entrega de um documento à Assembléia Nacional, quando ocorreram os incidentes nas avenidas Universidad e Bolívar. Vários manifestantes responderam lançando garrafas e pedras contra efetivos da Guarda Nacional.A marcha realizou-se em meio a grande tensão por causa dos distúrbios ocorridos nos últimos dias na capital, que culminaram com violentos choques entre opositores e a Guarda Nacional. A mobilização contou com a participação de mais de 200 prefeitos e governadores que protestaram contra a "violação da autonomia" metropolitana pela medida do governo.Chávez, irritado com o que ele chamou de repetidas repressões de manifestações "chavistas" pela Polícia Metropolitana - controlada pelo prefeito e líder opositor Alfredo Peña ? ordenou a intervenção do Exército em mais de dez delegacias no fim de semana. Chávez alegou que Peña fracassou em resolver uma disputa trabalhista envolvendo dezenas de policiais. Ele também disse que a disputa pôs em risco a segurança pública de Caracas.O deposto chefe de polícia, Henry Vivas, continuava hoje recusando-se a deixar o cargo, provocando uma profunda divisão na PM, enquanto Peña aguardava uma resposta do Tribunal Supremo de Justiça à sua tentativa de impugnar a intervenção.A Venezuela vive atualmente sua pior crise política desde o frustrado golpe de Estado de abril, quando Chávez foi afastado do poder por 48 horas. A oposição exige a realização de um referendo em dezembro sobre a permanência de Chávez no poder e, apesar de terem obtido as assinaturas necessárias segundo a Constituição para a convocação da consulta popular, o governo insiste que a votação só poderá ocorrer em agosto de 2003 ? na metade do mandato do presidente.Em meio a um mar de bandeiras, cartazes e panelas, dezenas de milhares de manifestantes, vindos de vários Estados do país, cruzaram a capital venezuelana gritando: "Chega de abusos e arbitrariedades" e "Chávez, vá embora já".A oposição denunciou que muitos veículos transportando seus militantes e prefeitos do interior da Venezuela foram bloqueados pela Guarda Nacional na entrada da rodovia que liga Caracas com o ocidente do país.

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