Oposição protesta, e eleição angolana é prorrogada

A primeira eleição angolana em 16 anosterá um inesperado segundo dia de votação no sábado, disse umaautoridade local. A oposição disse que o pleito está sendocaótico e deveria ser repetido. Caetano de Sousa, diretor da Comissão Eleitoral Nacional,disse que a votação será prorrogada na província de torno deLuanda, a capital, onde houve atrasos generalizados nasexta-feira. "Todas as seções eleitorais que por problemas logísticosnão tenham aberto irão funcionar em 6 de setembro", disse Sousaem entrevista coletiva. Não está claro se isso satisfaz à Unita, maior partido daoposição, que antes se queixara da "bagunça" e exigiu arepetição do pleito. "O sistema praticamente entrou em colapso, e temos de fazeralgo para recuperá-lo", disse Isaias Samakuva, dirigente daUnita. Dois partidos menores (PRS e PDP-ANA), que ocupam algumascadeiras no atual Parlamento de 220 vagas, apoiaram a repetiçãodo pleito. Uma missão de observadores europeus também apontoudesorganização na votação, em que o MPLA, no poder desde aindependência (1975), é favorito. Samakuva acusou o partidogovernista de contar com acesso privilegiado a verbas e àmídia. Horas antes da abertura das urnas, às 7h (3h em Brasília),longas filas já se formavam em Luanda, reduto do MPLA. Muitasseções atrasaram horas para abrir, e outras nem funcionaram. Nointerior, a votação foi normal e terminou no horário previsto(18h; 14h em Brasília). As autoridades atribuíram os atrasos principalmente aproblemas nas listas de eleitores. Angola espera que sua eleição dê um exemplo para a África-- especialmente depois das turbulências eleitorais de Zimbábuee Quênia neste ano -- e sirva de vitrine para a recuperação quevem se dando desde o final da guerra civil, em 2002, com ajudado dinheiro do petróleo.

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