Oposição queniana dá ultimato para reforma constitucional

Partido ameaça convocar protestos caso não sejam aprovadas mudanças que permitam o poder compartilhado

Efe e Reuters,

20 de fevereiro de 2008 | 10h13

O principal partido opositor queniano ameaçou nesta quarta-feira, 20, realizar novos protestos se em uma semana não for votada uma alteração na Constituição para definir a divisão do poder na administração do país.   Veja também: Entenda o conflito no Quênia    O anúncio foi feito pelo secretário-geral do Movimento Democrático Laranja (ODM), Anyang Nyong'o, e um dos membros da cúpula do partido, Najib Balala. O ODM se queixou de que o partido ligado ao governo do presidente Mwai Kibaki "não é sério" e criticou seu comportamento durante as negociações para solucionar a crise que atinge o país.   Segundo o representante do governo nas negociações, a ameaça da oposição é uma chantagem. "Como mediadores, somos imunes às tentativas de chantagem e intimidação, e continuaremos como se elas não existissem", afirmou Mutula Kilonzo.   O governo e a oposição decidiram reformar a Carta Magna na sexta-feira, após conversas secretas em um balneário do litoral, mas não foram divulgados mais detalhes.   A oposição pretende compartilhar o poder e a nomear o líder do ODM, Raila Odinga, como primeiro-ministro, com poderes executivos, e exige um governo de coalizão com uma repartição igualitária dos cargos ministeriais, a que o governo se opõe categoricamente.   Desde o início do mês, o ex-secretário das Nações Unidas Kofi Annan tenta fazer com que governo e oposição cheguem a um pacto que permita encerrar a crise iniciada nas eleições de 27 de dezembro. As autoridades eleitorais proclamaram Kibaki vencedor, mas os observadores internacionais disseram que a apuração teve muitas irregularidades e a oposição assegura que o presidente foi reeleito com um milhão de votos fraudulentos.

Mais conteúdo sobre:
Quêniacrise política

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.