Oposição quer ampliar papel da OEA na Venezuela

A oposição venezuelana propôs ao Grupo de Amigos da Venezuela que o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Cesar Gaviria, torne-se mediador da "crise de governabilidade" do país. Tornando-o um mediador da crise, em vez de um "facilitador", as partes concordariam de antemão em seguir as recomendações de Gaviria.O governo venezuelano procurou transmitir tranqüilidade no encontro de hoje no Itamaraty, o segundo do grupo. "Falamos principalmente sobre o restabelecimento da ordem econômica e política no país", disse o embaixador venezuelano, Jorge Valeiro, ao encerrar sua participação nos trabalhos.O representante da delegação de oposição, Timoteo Zambrano, contestou as informações do governo, dizendo que a produção de petróleo não está normalizada e denunciando as prisões e a perseguição à mídia: "Não há como falar em normalidade."Além do fim da greve geral de dois meses que interrompeu a produção de petróleo na Venezuela, causando um prejuízo avaliado pelo embaixador em US$ 5 bilhões, o representante do governo venezuelano comemorou a nomeação, na semana passada, pelo Congresso, de um comitê de 15 membros que dará início ao processo eleitoral. "Queremos negociar com uma oposição legítima, que use meios democráticos, não com terroristas e golpistas", disse o embaixador, referindo-se à tentativa frustrada de golpe de Estado no país no ano passado.Segundo Valeiro, o comitê de parlamentares e membros da sociedade civil, aprovado por unanimidade, vai nomear a Comissão Nacional Eleitoral, a ser formada por cinco membros e dois suplentes, cuja função será organizar e fiscalizar as eleições na Venezuela. Pela Constituição venezuelana, quando um representante eleito completa metade do mandato, a população pode realizar um referendo, pedindo novas eleições. O presidente Hugo Chávez completa metade do seu mandato em agosto. Só então, se a oposição conseguir reunir a assinatura de 20% dos 11 milhões de eleitores pedindo o referendo, poderá ser convocada uma nova eleição imediatamente, e não só em 2005, quando termina o mandato de Chávez.

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