Oposição quer processar Chávez por comemorar golpe

Um setor da oposição venezuelana pediu nesta segunda-feira à promotoria que abra um processo por apologia do crime contra o presidente Hugo Chávez, o ministro da Defesa, general Raúl Baduel, e outros civis e militares que comemoraram o aniversário do seu fracassado golpe de Estado de 1992.Um dia depois do desfile militar que lembrou a tentativa liderada por Chávez contra o então presidente Carlos Andrés Pérez, o ComandoNacional da Resistência formalizou seu pedido.Vestindo traje de campanha, com a sua característica boina vermelha e a faixa presidencial, Chávez disse no desfile que "a Revolução bolivariana é pacífica, mas não desarmada". "Essas armas estão nas mãos de vocês, soldados patriotas, para tornar realidade o sonho do povo e o mandato do povo, que é o caminho rumo ao socialismo do século XXI", afirmou.O Comando foi o único grupo de oposição que formalizou seu pedido judicial, e até os seus líderes admitiram que são nulas as probabilidades de sucesso. Para eles, os membros da promotoria sãogovernistas. Mas outros dirigentes da oposição acusaram Chávez de encorajar o crime e previram que o feitiço pode se virar contra o feiticeiro."Não pode dizer que nós, da oposição, somos os golpistas. No domingo, sem nenhum tipo de escrúpulos, liderou um vergonhoso espetáculo", disse Antonio Ledezma, do partido Aliança Bravo Povo. "Se amanhã os cadetes resolverem protestar contra a corrupção ou se em algum quartel alguém sair com um tanque, o primeiro responsável será o presidente", acrescentou.O ex-capitão Carlos Buyón, um dos militares que participaram da tentativa de golpe e que hoje faz oposição a Chávez, concordou. Para ele, o presidente "legitima um golpe de Estado".Luis Planas, secretário-geral do democrata-cristão Partido Copei, afirmou que Chávez tenta "manipular a história do país, tornando o 4 de fevereiro de 1992 um dia glorioso para os venezuelanos, e averdade é que a partir daquela data se profundaram a deterioração e a decadência" do país.Planas disse que a Força Arada Nacional (FAN) deve lembrar que seus membros usam armas "para defender a Constituição e não para caminhar rumo ao socialismo do século XXI".

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