Oposição questiona legitimidade de referendo na Turquia

Autoridade eleitoral aceita votos sem selo oficial; com 95% das urnas apuradas, 'sim' prevalece

O Estado de S.Paulo

16 Abril 2017 | 14h18

Istambul - O principal partido de oposição da Turquia criticou decisão da autoridade eleitoral do país, que decidiu aceitar como válidos votos sem um selo oficial. O vice-presidente do Partido Republicano do Povo, Bulent Tezcan, afirmou a jornalistas que a decisão coloca o referendo "sob um sério problema de legitimidade".

Informações da agência de notícias oficial da Turquia, a Anadolu, indicavam que há pouco havia 95% das urnas apuradas no país. O "sim" prevalece, com 51,9% dos votos já apurados, de acordo com a agência.

Uma contagem final dos votos era esperada apenas para o final da tarde, mas controvérsias surgiram logo que as urnas fecharam, por volta das 17h no horário local (11h em Brasília). O Alto Conselho Eleitoral fez um anúncio incomum, afirmando que houve diversas alegações de votos irregulares sendo depositados nas urnas sem o selo de autoridades eleitorais. O órgão responsável pela votação decidiu que contaria esses votos como válidos até que se provasse o contrário.

A notícia trouxe uma condenação imediata para a campanha do "não" e acrescentou uma inquietação entre monitores internacionais e analistas políticos sobre a legitimidade do referendo. Monitores de grupos de direitos humanos e partidos políticos de oposição estavam fazendo listas de fraudes e irregularidades no momento em que a apuração caminhava.

Se confirmada a vitória do "sim" neste domingo, as 18 mudanças constitucionais vão substituir o sistema parlamentarista turco de governo por um presidencialista, abolindo o papel de primeiro-ministro.

Uma derrota de Erdogan no referendo poderia trazer fôlego a oposição. Já a vitória do sim pode representar um fortalecimento das políticas do presidente, embora seja preciso algum tempo até que todo o impacto da mudança constitucional seja sentido. Algumas medidas não teriam efeito até as eleições de 2019. 

Fonte: Dow Jones Newswires e Associated Press

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