Oposição realiza hoje ampla marcha contra partido de Putin

Manifestação deve reunir 30 mil em Moscou e foi liberada pelo governo; mais de mil já foram presos nos protestos

MOSCOU, O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2011 | 03h02

A oposição russa convocou para hoje, com autorização do governo, uma nova manifestação em massa contra as eleições parlamentares do dia 4. O ato, que ocorrerá em diversas cidades, deve reunir mais de 30 mil pessoas em Moscou. A autorização do governo aparenta ser uma tentativa de evitar novos choques entre a polícia e os manifestantes. Até agora, cerca de mil pessoas foram presas nos protestos pós-eleição no país.

Os opositores denunciaram fraudes na eleição, vencida pelo Partido Rússia Unida, do premiê Vladimir Putin e do presidente Dmitri Medvedev. O primeiro-ministro acusou a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, de incitar os protestos.

"Esperamos que seja o maior protesto político em 20 anos", disse o deputado Ilya Ponomaryov, do bloco opositor Frente de Esquerda. A ativista Yevgenya Chirikova, que organiza a manifestação, espera um alto comparecimento. "As pessoas virão amanhã, pois estão cansadas desse partido de caloteiros e ladrões", afirmou.

O vice-prefeito de Moscou, Alexander Gorbenko, que deu a autorização para a marcha, disse aos manifestantes que qualquer tentativa de prorrogar o evento será barrada pela polícia. Alguns líderes da oposição, no entanto, prometem reunir os participantes do protesto perto do Kremlin. Cerca de 50 mil policiais e 2 mil agentes paramilitares patrulharão a área.

A ONG de direitos humanos russa Memorial divulgou ontem um comunicado no qual acusa o governo de agredir os manifestantes presos no começo da semana. Ainda segundo o grupo, muitos dos detidos foram condenados sem provas e com acusações falsas a 15 dias de prisão.

A Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) exortou as autoridades russas a dar segurança aos jornalistas que cobrem os protestos. Houve denúncias nos últimos dias de agressões e intimidações a repórteres em São Petersburgo. "A função da polícia é proteger os jornalistas, e não detê-los ou pressioná-los", diz o texto.

Putin, que governou o país entre 2000 e 2008, disputará a presidência novamente em março do ano que vem. Apesar das denúncias de fraude, o Rússia Unida perdeu espaço nas eleições parlamentares e a maioria qualificada de dois terços. / AP e REUTERS

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