Oposição recusa atraso de 2.º turno no Zimbábue

Partido cobra realização até 23 de maio; governo diz que novo pleito pode acontecer até 31 de julho

Reuters,

15 de maio de 2008 | 14h50

O partido opositor do Zimbábue rejeitou nesta quinta-feira, 15, o prazo dado pelo governo para a realização do segundo turno das eleições presidenciais. Morgan Tsvangirai, que concorre com o presidente Robert Mugabe, criticou a decisão, porque a lei prevê que o segundo turno ocorra 21 dias após a divulgação dos resultados, ou seja, em 23 de maio.   A Comissão eleitoral do Zimbábue anunciou na quarta que o segundo turno séria realizado até 31 de julho, quatro meses após as eleições de 29 de março. A data oficial deve ser anunciada nesta sexta-feira, segundo afirmou a TV estatal. Um comunicado do Movimento pela Mudança Democrática (MDC, sigla em inglês) afirmou que o atraso no novo pleito "demonstra dúvidas razoáveis de que o regime de Harare não pretende deixar o poder e fará o possível, legalmente e ilegalmente, para se manter no governo".   "Gostaríamos de expressar a nossa grande indignação com a indiferença em relação às leis e ao povo do Zimbábue", afirmou o secretário-geral do MDC Tendai Biti. Em entrevista aos repórteres na África do Sul, Biti insistiu que o segundo turno deve ser realizado no dia 23 de maio, 21 dias após a divulgação do resultado eleitoral, que só foi conhecido oficialmente no dia 2.   A polícia do Zimbábue proibiu um comício do MDC na cidade de Bulawayo, onde Tsvangirai planejava iniciar sua campanha eleitoral para a disputa contra o atual presidente, Robert Mugabe. "Eles nos escreveram, dizendo 'vocês não poderão prosseguir com o comício', e não nos deram uma razão. Nossos advogados já buscam uma mandado para proibir que a polícia interfira nos nossos comícios", disse o porta-voz do partido Nelson Chamisa.   O MDC conquistou a maioria parlamentar nas eleições gerais de 29 de março e assegura que, segundo seus dados, também obteve votos suficientes para que Tsvangirai possa se proclamar presidente eleito sem a necessidade de um segundo turno. No entanto, as autoridades eleitorais e o regime de Mugabe asseguram que os votos indicam que não houve um claro vencedor no primeiro turno.

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